
Otelo Saraiva de Carvalho morreu este domingo, 25 de julho, no Hospital Militar. O estratega das operações militares que resultaram na resultaram na revolução do 25 de abril de 1974 tinha 84 anos.
Nascido em Maputo, Moçambique, no dia 31 de agosto de 1936, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho foi mobilizado para Angola em 1961, como capitão de artilharia, e lá permaneceu em comissão de serviço até 1963. Posteriormente, tornou-se estratego do setor operacional da comissão coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA) e dirigiu clandestinamente as operações, a partir do quartel da Pontinha, que resultaram no fim do Estado Novo.
À medida que as divisões internas do MFA se foram acentuando, Otelo tornou-se um dos militares mais radicais do movimento e, na sequência dos acontecimentos de 25 de novembro de 1975, foi detido e afastado de todos os cargos, tendo sido libertado três meses depois. Candidatou-se às eleições presidenciais de 1976, onde obteve mais de 16% dos votos (perdeu contra Ramalho Eanes). Em 1980, criou a Força de Unidade Popular e voltou a concorrer à presidência, desta feita sem resultados expressivos.
A 25 de novembro de 1983, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Uma condecoração envolta em polémica, uma vez que era acusado de ter liderado a organização terrorista FP-25, responsável pelo assassinato de 17 pessoas. Cumpriu cinco anos de prisão efetiva, entre 1984 e 1989, tendo sido libertado após apresentar recurso da sentença condenatória. Aguardou o julgamento em liberdade provisória até 1996, quando a Assembleia da República aprovou um indulto e uma amnistia para os detidos da FP-25.