A morte da maratonista etíope Yebrgual Melese provocou forte consternação no mundo do atletismo e trouxe de volta a memória de um dos momentos mais marcantes da sua carreira: a vitória histórica na Meia Maratona de Lisboa, alcançada em 2018. A atleta tinha 36 anos e, de acordo com informações divulgadas pela Federação Etíope de Atletismo, sentiu-se mal durante um treino, tendo sido posteriormente transportada para o hospital, onde acabou por morrer.
Com um percurso amplamente respeitado nas provas de longa distância, Yebrgual construiu a carreira longe da exposição mediática habitual entre as grandes figuras do desporto, mas sempre rodeada de reconhecimento nos bastidores do atletismo internacional. Em Portugal, o seu nome voltou a ganhar destaque nos últimos dias precisamente pela recordação da conquista em Lisboa, considerada uma das exibições mais marcantes daquela edição da prova.
Na altura, a etíope venceu a tradicional corrida com autoridade e integrou o grupo de atletas africanas que contribuíram para afirmar as competições portuguesas como referência no panorama internacional. O desempenho chamou a atenção pelo tempo alcançado e pela resistência demonstrada ao longo do percurso — uma característica que marcou toda a sua carreira.
Além do triunfo em Portugal, Melese somou resultados de relevo em competições internacionais, incluindo vitórias em Paris e prestações consistentes em maratonas disputadas na Ásia e nos Estados Unidos. Pessoas ligadas ao circuito africano de corridas garantem que a atleta continuava a treinar intensamente e planeava ainda participar em algumas das provas mais importantes da temporada.

Rotina exigente marcou a carreira da atleta
Nos bastidores do atletismo, a morte da corredora voltou também a levantar questões sobre o desgaste físico enfrentado pelos maratonistas de elite ao longo dos anos. Ao contrário de outras modalidades, as provas de resistência implicam uma rotina extremamente exigente, com elevadas cargas de treino, recuperação limitada e pressão constante por resultados.
Os atletas que conseguem manter-se competitivos durante largos anos convivem, regra geral, com uma disciplina rigorosa e um desgaste acumulado difícil de avaliar fora do contexto do desporto profissional.
Reservada quanto à vida privada, a maratonista preservava igualmente a família da exposição pública. Yebrgual Melese deixa marido e dois filhos.
A última competição oficial disputada pela corredora teve lugar no ano passado, em Pequim. A morte prematura interrompe uma carreira marcada pela resistência, regularidade e por conquistas relevantes no atletismo internacional — particularmente em Portugal, onde o seu nome permanece associado à vitória conquistada na Meia Maratona de Lisboa em 2018, um dos momentos mais marcantes do seu percurso desportivo.
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