
Margarida Sá da Bandeira em família
Se há característica comum às mulheres Sá da Bandeira, essa é a determinação. Luz, a matriarca da família, já tinha mais de 40 anos quando, contra muitas opiniões, decidiu ser fadista.A filha Margarida, de 46 anos, herdou essa vontade acérrima de fazer aquilo que a deixa feliz. Casada com Luís Barbosa há 11 anos, e mãe de três filhas, Mafalda Froes, de 25 anos – fruto de uma anterior relação -, Sofia e Luz Barbosa, com nove e cinco anos, respectivamente, a antiga administrativa de um banco trocou a estabilidade financeira pela profissão que a apaixonou: maquilhadora. Hoje, é uma mulher realizada que revê a sua determinação na sua filha mais velha, que há cerca de dois anos decidiu ir viver para a Índia, onde conheceu um mexicano apaixonado pelo circo, com quem teve um filho, Narayan, de quatro meses. Apesar da distância, Margarida tem desfrutado ao máximo a experiência de ser avó e, tal como a sua mãe, tem aprendido a aproveitar todas as novas paixões que vão surgindo na sua vida.Margarida recebeu a CARAS em sua casa, para uma conversa que foi das histórias de amor à dedicação que existe por detrás de uma família cheia de diversidades. Sempre sobre o olhar atento e a opinião sábia de Luz. – Como é que descobriu a paixão pela maquilhagem?Margarida Sá da Bandeira – Durante imenso tempo senti que não era feliz na minha profissão, mas também não sabia o que é que me apetecia fazer. Até que a minha irmã me pediu para lhe fazer a maquilhagem para um evento que ela estava a organizar. Eu disse que sim e fiquei apaixonada. Passado algum tempo, tirei o curso de maquilhadora profissional. Por motivos de saúde, deram-me a pré-reforma, saí do banco e aventurei-me na maquilhagem. – Acha que se não tivesse tido esse problema de saúde, que a obrigou a sair do banco, teria tido coragem para deixar a estabilidade profissional que tinha?- Se calhar não, mas a vida conduz-nos àquilo que nos faz feliz. E penso que, apesar de ter perdido a estabilidade profissional, a minha vida ganhou imenso. Hoje consigo gerir a minha família de uma forma muito mais equilibrada e passo bastante tempo com as minhas filhas. Antes, nem sequer podia ir buscá-las à escola. Agora sinto-me mais livre. Ter estabilidade financeira não é tudo na vida e ter uma profissão que me deixa feliz é realmente importante para mim.