Nestes últimos cinco anos, a vida de Mafalda Veiga, de 42 anos, entrou numa nova etapa. Além de ter passado todo esse tempo sem gravar um disco a solo, a cantora divorciou-se de António Cordovil, de 43, com quem esteve casada mais de uma década e de quem tem um filho, Tomás, agora com oito anos. Entretanto, o último disco que gravou, em parceria com João Pedro Pais, deu origem ao boato de que os dois músicos estariam a viver um romance, o que Mafalda aproveita para desmentir nesta entrevista, na qual revela atravessar uma fase muito boa, até porque o seu mais recente disco, Chão, tem sido um verdadeiro êxito. – Neste seu último disco dá a conhecer uma compositora e intérprete diferente…Mafalda Veiga – É um disco mais objectivo, com arranjos mais simples, mas ao mesmo tempo com uma grande capacidade de respeitar muito as canções. O objectivo que tinha era fazer um disco em que as canções e as letras tivessem mais espaço. – Duas semanas depois de ter sido lançado, foi logo disco de ouro. Parece ter entre mãos um sucesso…- Tem corrido muito bem, os concertos têm estado sempre cheios, as pessoas sabem as letras e, pelo retorno que tenho tido no site, parece-me que, de todos os discos da minha carreira, este é aquele de que as pessoas mais gostam. E eu também, sinceramente, estou muito feliz com o resultado. "Sou muito crítica em relação ao meu trabalho, em relação às músicas e sonoridades. Gosto de experimentar e melhorar." – Como artista, sente o peso da responsabilidade de cada vez que inicia um novo trabalho?- Não é bem o peso da responsabilidade, julgo que esse é o objectivo de qualquer pessoa no seu trabalho. Quando faz, tem de ser melhor do que já fez. Sou muito crítica em relação ao meu trabalho, em relação às músicas e às sonoridades que quero ter. Gosto muito de experimentar e melhorar. – Qual é o balanço que faz destes vinte anos de carreira?- Para mim não é carreira. Não considero o meu trabalho uma carreira, pois está muito ligado à minha vida. Quando escolhi fazer música, foi uma escolha de vida. O balanço é muito positivo, pois tenho o privilégio de fazer e viver daquilo que mais gosto. – Quando não está a trabalhar, ouve as suas músicas?- Só para trabalhar. Se estiver a passar na rádio, fico a ouvir, mas nunca me consigo afastar do sentido crítico. "Quando se tem filhos, tudo é conciliado em função deles." – Costuma dizer que os seus discos marcam diversas fases da sua vida. Que fase é esta?- Qualquer escritor de canções fala muito no seu universo pessoal, mesmo que esteja a falar daquilo que o rodeia, é sempre a nossa visão pessoal das cosias, do que sentimos e do que pensamos sobre determinada coisa. Para mim, sem dúvida que cada disco é sempre o reflexo daquilo que sinto naquele momento. Este disco é um reflexo daquilo que sou agora, como pessoa e como músico. – Considera que é hoje uma pessoa diferente do que era há dez ou 15 anos?- Acho que sim, as pessoas vão evoluindo com o tempo, vão sendo diferentes… Acho que nunca devemos deixar-nos fechar em rótulos, embora muitas vezes tenhamos essa mania. Gosto de me pensar como alguém que muda, que vai evoluindo e que está aberta a todas as influências, e acho que isso é que é importante, pois caso contrário não teria nada para escrever. – O seu filho é o seu maior fã?- [risos] Não sei… O Tomás tem muito jeito para música e está a estudar bateria. Agora já tem idade para me acompanhar sempre que é possível, e adora. – Ele tem noção de que a mãe é uma figura pública?- Ele está muito habituado desde que nasceu e para ele é normal, eu sou é a mãe dele. Ele está muito habituado ao meu trabalho… "Para mim, a vida sem paixão não faz sentido nenhum." – Alguma vez sentiu que perdeu algo no crescimento do Tomás devido à sua profissão?- Não, porque quando se tem filhos, tudo é conciliado em função deles, e foi isso que sempre fiz. O mais complicado e mais difícil de conciliar são as alturas em que estou em gravação no estúdio. Os trabalhos de estrada são mais pontuais e posso levá-lo, o estúdio implica sair de casa muito cedo e chegar sempre muito tarde e, por isso, nessa altura fico muito tempo sem o apanhar acordado quando chego. Mas é uma fase, e ambos estamos preparados para isso. Deixo sempre tudo organizado para que nada falhe na rotina dele. – E ele alguma vez lhe cobrou as suas ausências?- Não. Tem saudades, mas não cobra nada. – Que tipo de preocupações tem com o Tomás?- Preocupo-me com o seu presente, mas sobretudo com o seu futuro. Todos sabemos como as coisas estão mal, mas nunca podemos deixar de acreditar que podem mudar para melhor. Devemos olhar para a vida com esperança e com vontade de mudança, e é isso que transmito ao meu filho. "Sempre fomos os maiores amigos, e isso não é de todo verdade." [sobre o suposto romance com João Pedro Pais] – A Mafalda tem conseguido construir uma carreira sem sacrificar muito da sua privacidade…- A minha profissão é fazer música e não ser famosa. Acho que é importante divulgar o meu trabalho, mas não me parece que a minha vida pessoal interesse a alguém. É muito importante as pessoas estarem ligadas a mim pela música e não pelo que faço com a minha vida. – Por isso nunca falou sobre a sua separação, que já aconteceu há três anos…- De facto, prefiro não tocar nesse assunto, mas posso confirmar que estou mesmo divorciada. – Na altura em que gravou o CD com o João Pedro Pais, chegou a comentar-se que estariam também a viver um romance. É verdade?- Sempre fomos os maiores amigos, e isso não é de todo verdade. – Está então solteira?- Bom, isso já é do foro pessoal, por isso não vou responder. "Devemos olhar para a vida com esperança e com vontade de mudança, e é isso que transmito ao meu filho." – É uma mulher apaixonada?- Acho que todas as pessoas o são e, para mim, a vida sem paixão não faz sentido nenhum. – Como se sente nesta fase?- Sinto-me muito bem. – Pode então dizer-se que ultrapassou bem a fase, obviamente sempre delicada, do divórcio?- Estive sempre bem. Levei as coisas com bastante ligeireza, tenho estado bem e estou numa fase óptima.