Há oito meses, Reynaldo Gianecchini, de 39 anos, deparou-se com uma difícil e dolorosa batalha. Com espírito de guerreiro, o ator lutou contra um tipo raro de cancro – o linfoma não-Hodgkin de células T angioimunoblástico – e com otimismo enfrentou sessões de quimioterapia e superou um autotransplante de medula óssea. O resultado da perseverança foi a conquista da cura e o recomeço de um novo capítulo da sua história. “É como se estivesse a organizar uma grande festa para celebrar a vida, o carinho e o amor. Recuperei o ânimo e estou disposto a encarar os desafios que tenho pela frente”, diz Gianecchini, que transformou o tratamento numa lição de vida. “Quando soube da doença, fui determinado a viver tudo que eu tinha que viver. Sou assim: vivo com intensidade. Foi um período de reflexão, de autoconhecimento e de entendimento do sentido da vida”, confessou nesta entrevista que decorreu no Kurotel – Centro Médico de Longevidade e Spa, em Gramado. “Depois de tantos químicos, é hora de desintoxicar e recompor o corpo do stresse por que passou.” Na companhia da mãe, Heloisa Helena, de 70 anos, o ator aproveitou os momentos de descontração para se exercitar. “Sempre adorei fazer exercício e já posso fazer de tudo, desde que respeite o ritmo do corpo. Quero dar mergulhos no mar e apanhar sol. Não o podia fazer por causa do cateter. Como já o retirei, vou concretizar estes desejos em breve.”
A nova fase vem acrescida de transformações na forma de encarar a vida: “Não tinha noção do carinho que as pessoas têm por mim. Hoje, vejo o ser humano com outro olhar e sei que o importante é viver o presente, com amor e harmonia.” Nesta entrevista também houve espaço para o ator falar da sua vida sentimental e diz que não tem pressa para viver uma paixão. “Não penso nisso. Acho que as coisas acontecem, independentemente de querermos ou não. Podemos virar a esquina e encontrar a pessoa que vai mudar a nossa vida. Gosto de ser surpreendido. Mas estar sozinho também tem um lado bom”, confessa o ator em exclusivo para a CARAS.
– Ao longo do tratamento, de que é que teve mais saudades?
Gianecchini – Não fiquei com pena por não poder fazer certas coisas. Por outro lado, sempre fui participativo no tratamento e procurei outras atividades, como a leitura e a reflexão. Foi bom viver esse período fora da vida acelerada, tive muitas alegrias e fui muito amado.
– Hoje, quais são as restrições?
– Preciso evitar riscos, como ficar em ambientes fechados por muito tempo, o que pode transmitir gripe, por exemplo. Tenho muita atenção com a minha alimentação e já voltei a fazer algum exercício físico. É como se eu fosse um bebé que precisa de cuidados, pois não tenho muitos anticorpos. Estou curado, mas ainda preciso de acompanhamento médico nos próximos cinco anos.
– Os amigos foram essenciais?
– Sim. Reencontrei amigos que a vida distanciou, e percebi como essas amizades eram profundas. Alguns amigos de infância reapareceram e até houve pessoas que não conhecia e que me ajudaram.
– A sua mãe foi uma figura muito presente. Os laços fortaleceram?
– Foi incrível! Sempre tive uma relação de valor e de proximidade com meus pais. Não sei o que seria da minha vida nesse período sem a minha mãe ao meu lado. Ela é uma guerreira.
– Cultivou sonhos e planos nesse período de afastamento?– Tive vontade de ter aulas de canto e dança. Já o fiz no passado e isso traz-me alegria. Também quero ficar mais perto da natureza, viajar. Curtir a vida.
– Há pessoas que, ao se submeterem à quimioterapia, decidem, por prevenção, proceder ao armazenamento de esperma. Fez isso?
– Conversei sobre isso com o médico e quem passa por este tratamento realmente pode ficar estéril, mas não achei necessário fazê-lo. Quero ter filhos, sei que a hora vai chegar e confesso que, depois da morte do meu pai e da doença, a continuidade da vida é algo em que penso com mais intensidade.
– O conceito de felicidade também se alterou?
– Essa palavra ganhou um novo significado. Para mim, a felicidade agora é viver intensamente o dia-a-dia, sem criar expectativas. As pessoas agarram-se ao passado ou ao futuro e esquecem-se do presente, da simplicidade que traz a felicidade.
Reynaldo Gianecchini depois do cancro: “Estou disposto a encarar qualquer desafio”
Após oito meses a submeter-se a tratamentos de quimioterapia, o ator goza agora de um período de descanso antes de regressar ao trabalho. Em junho, Gianecchini vai iniciar as gravações da novela ‘Guerra dos Sexos’.