Nascida em Angola e com dupla nacionalidade angolana e portuguesa (tem um avô português e parte da família ainda vive no nosso país, além de os pais cá manterem uma casa), a manequim Sharam Diniz, de 21 anos, está a conquistar terreno a nível internacional. Depois de ter participado na exclusiva Semana da Moda de Nova Iorque, conseguiu integrar o apetecível lote de modelos que desfilam com asas de anjo para a Victoria’s Secret num espetáculo cuja transmissão televisiva é vista por milhões de pessoas em todo o mundo. Filha de um engenheiro civil e de uma assistente de bordo que chegou também a participar em desfiles, Sharam começou a sua carreira em Luanda, onde é uma autêntica celebridade. Decidiu então tentar a sorte em Portugal, onde a L’Agence lhe abriu as portas de uma carreira internacional. A partir daí, foi só somar sucessos.
Independência e perseverança são características que a distinguem – “acho que para vencer no mundo da moda é preciso ser honesto e ter personalidade, pois é isso que nos distingue”, defende –, pelo que encara com naturalidade o facto de ter ido sozinha para Nova Iorque, depois de já ter estudado Events Management em Londres. “Ter vindo para Nova Iorque viver e estar sozinha ajudou-me a crescer como mulher, mas não deixo de ter o apoio diário dos meus pais. Falo com eles praticamente todos os dias. Tenho uma família grande e damo-nos todos bem, graças a Deus”, conta-nos numa troca de e-mails, apenas alguns dias depois de ter desfilado com os ‘anjos’.
– Desfilar para a Victoria’s Secret é um momento relevante na carreira de uma manequim. Sentiu-se intimidada ou conseguiu descontrair e aproveitar o momento?
Sharam Diniz – Em momento algum estive nervosa, a não ser antes de saber se seria confirmada. Tudo o resto foi apenas felicidade e muita ansiedade, a simpatia das ‘angels’ mais antigas, como Adriana Lima, Alessandra Ambrosio ou Candice Swanepoel, ajudou-me a descontrair. Mas sei que o show tem visibilidade no mundo inteiro e é muito exclusivo, por isso, participar nele é, mais do que um privilégio, uma bênção.
– Tomou alguns cuidados especiais para estar em forma antes do desfile ou manteve apenas os seus hábitos? Sendo jovem, não deve precisar de grandes dietas…
– Tenho uma rotina diária de ir ao ginásio e juntei-lhe uns extras, como massagens e tratamento facial, antes do desfile. Confesso que se comer muita junk food engordo, mas habituei-me a comer de forma saudável. E uma vez por semana abuso e como tudo o que quero.
– Sei que passa a maior parte do tempo a viajar. Lida bem com as saudades da família?
– Não tenho outra escolha a não ser lidar com isso, mas sempre que posso desloco-me ou um dos membros da minha família, como a minha prima ou a minha mãe, vão ter comigo onde estiver. Na época de Natal e passagem de ano vou sempre a Angola matar saudades.
– Parece ser voluntariosa e ter objetivos profissionais bem definidos…
– Sim, sou bastante sonhadora e guerreira, gosto de concretizar os meus sonhos e luto por isso.
– Sei que em Angola é uma celebridade. Como encara a exposição mediática?
– Lido bem com isso, gosto de ser abordada e reconhecida, tirar fotografia com os fãs e ouvir o que eles pensam de mim. Acho que é uma consequência do trabalho que faço ter pessoas a seguirem os meus passos profissionais. Já experimentei algumas situações mais ‘estranhas’, mas tento manter a fronteira entre a minha vida profissional e a minha vida privada.
– Imagino que tenha uma vida muito ocupada e que esteja muito focada no trabalho num momento tão decisivo para a sua carreira, mas consegue ter tempo para namorar? Tem alguma relação séria?
– Não tenho e não gosto de relacionamentos à distância, isso não tem resultado comigo.
Sharam Diniz, a luso-angolana que conquistou Nova Iorque
Aos 21 anos, a manequim não esconde que luta para concretizar os seus sonhos.