
Ricardo Santos
Jornalista há mais de 20 anos, Cristina Esteves continua apaixonada por aquilo que faz. Só assim se entende o facto de já ter trabalhado com uma crise renal, um pé partido e uma rutura de ligamentos, entre tantos outros episódios que acabam por se perder na memória. Independentemente do projeto que tem em mãos ou do entrevistado que tem à frente, a pivô tem como propósito dar sempre o seu melhor e não desiludir quem a vê em casa.
Esta dedicação ao trabalho tem os seus custos. Que o diga o marido, o gestor Luís Oliveira, que já aprendeu a lidar com os horários imprevisíveis e as repentinas mudanças de planos a que os jornalistas estão sujeitos. Muito amor e paciência parecem ser os pilares desta relação que já dura há 30 anos e da qual nasceram três filhos, Frederico, de 20 anos, Sofia, de 16, e Francisca, de nove.
Numa manhã passada ao lado das filhas, Cristina, de 49 anos, deixou o teleponto de lado e conversou de improviso com a CARAS, revelando a mulher resiliente e de personalidade forte que sempre foi.
– É jornalista há mais de duas décadas e tem três filhos. Tem sido fácil conciliar estes dois mundos, ambos imprevisíveis e exigentes?
Cristina Esteves – Ser jornalista é um grande desafio e ter três filhos também. Portanto, conciliar estes dois papéis ainda é mais complexo. Sempre achei que conseguiria conciliar tudo, mas a verdade é que é difícil. Os meus filhos têm idades diferentes, a Sofia está em plena adolescência, o que não é fácil, e a Francisca, com nove, tenta seguir a irmã. E com o acesso que têm à Internet e às tecnologias tudo se torna mais exigente. Não podemos monitorizar tudo o que veem e, se quiserem, conseguem contornar as nossas ordens.
– E lida bem com isso?
– Tento sempre pôr-me no lugar dos meus filhos, recordando-me do que fiz em determinada idade. Claro que a realidade era outra, mas o fruto proibido sempre foi o mais apetecido, independentemente da nossa educação. Também tentávamos contornar as regras que nos eram impostas. Para mim, o mais importante é incutir-lhes determinados valores, de maneira que consigam fazer a destrinça entre o que é positivo e negativo e até onde podem ir.
– E como se descreve enquanto mãe?
– Sou uma mãe muito protetora, até com o meu filho mais velho. Gosto de saber o que estão a fazer. O meu marido e eu damos-lhes alguma liberdade, mas confesso que fico com o coração nas mãos. Já deixo a Sofia ir a algumas discotecas, mas sei com quem está, vamos pô-la e buscá-la. Eu também gostava de sair.
– Foi uma adolescente rebelde?
– Tinha regras muito rígidas, mas ter perdido o meu pai nas vésperas de fazer 17 anos alterou algumas coisas. A minha mãe, a minha irmã e eu sofremos imenso. Fiquei muito revoltada com a morte do meu pai, pois achei-a muito injusta. Todos reagimos de maneira diferente a uma perda como esta. Na altura, queria sair para dançar e conhecer pessoas. Tinha uma boa base de valores e sempre soube até onde podia ir. Nunca fiz muitos disparates. Ainda hoje não bebo nem nunca peguei em drogas. Sempre tive os meus limites muito bem definidos. Atualmente quase não saio. Já nem me lembro da última vez que fui a uma discoteca. Gosto de estar em casa com a minha família. Além disso, tinha 19 anos quando comecei a namorar com o meu marido. Era muito nova.