
“A minha cabeça está em mil lugares e o meu coração está prestes a explodir“, disse Mikey Madison assim que chegou ao palco para receber o Óscar de Melhor Atriz, ainda incrédula por ter nas suas mãos o galardão mais desejado da carreira de um ator, sendo que concorria ao lado de nomes como Demi Moore, Cynthia Erivo, Karla Sofía Gascón e Fernanda Torres.
Nascida a 25 de março de 1999, numa pequena cidade nos arredores da Califórnia, a atriz descobriu cedo a sua paixão pela Sétima Arte. Hoje, é aclamada por críticos e fãs pela versatilidade e dedicação com que se entrega aos papéis, por mais desafiantes que sejam.
“Sempre soube que queria ser atriz. Era a única coisa que fazia o meu coração bater mais depressa.”
Foi com a personagem Max, na série Better Things, do canal FX, que começou a dar nas vistas, a seguir brilhou em Era Uma Vez… em Hollywood, de Quentin Tarantino, onde interpretou um dos elementos da família Manson. Em 2022, Mikey regressou ao cinema como Amber Freeman em Gritos, consolidando a sua capacidade de transitar entre géneros tão distintos como drama, suspense e terror.
No entanto, foi com Anora, realizado por Sean Baker, que a atriz encontrou o caminho da fama. O filme, que começou por vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, conta a história de uma jovem stripper do bairro de Brooklyn, Nova Iorque, que se casa impulsivamente com o filho de um magnata russo. Um “conto da Cinderela ao contrário”, que tenta fazer um esboço da luta pela identidade e sobrevivência no meio de desigualdades sociais.
Durante meses, a atriz frequentou bares para compreender melhor a realidade de mulheres na mesma situação.
“Quero reconhecer e homenagear a comunidade de profissionais do sexo. Continuarei a apoiar e a ser uma aliada. Todas as pessoas incríveis, as mulheres que tive o privilégio de conhecer daquela comunidade foram um dos pontos altos desta experiência incrível”, disse a atriz no seu discurso de agradecimento.
A transformação de Mikey Madison para Anora
Para viver a complexa protagonista, a atriz mergulhou de cabeça no papel. “Queria entender cada nuance da personagem”, revelou a atriz numa entrevista recente, partilhando que, durante meses, frequentou bares, foi morar para o bairro de Brighton Beach e teve aulas de dança para compreender melhor a realidade de mulheres na mesma situação de Anora. “Era importante entender aquilo que as dançarinas passam.” Esta dedicação acabou por lhe permitir interpretar o seu papel de forma intensa, comovente e visceral.

Anora acabou por se tornar não só num marco na carreira de Mikey como tem dado que falar nesta temporada de prémios. Além de vencer o Critics Choice Awards como Melhor Filme, a película venceu 5 das 6 nomeações aos Óscares.
Noite de glória
O filme Anora conquistou cinco das seis estatuetas que lhe estavam reservadas: Melhor Filme, Realização, Argumento Original, Montagem, ao qual se juntou o prémio de Melhor Atriz, atribuído a Mikey Madison.
Orgulhoso, o realizador Sean Baker tornou-se, assim, o primeiro a ganhar quatro prémios com um só filme. “É maravilhoso que a Academia esteja a reconhecer filmes independentes”, disse, garantindo ainda: “Saltamos sempre para estes projetos a saber que vamos ter de competir com filmes que têm orçamentos quase 100 vezes maiores do que o nosso.”