
D.R.
O primeiro dia do ano começou cedo para os concorrentes do Dakar. Levantei-me pouco passava das quatro da manhã, já que a minha saída do parque fechado estava agendada para as 5h49m. Ao longe ainda se ouvem alguns foliões a festejar o início de mais um ano. Aliás, por aqui o ambiente ainda é de festa. Mas os concorrentes já têm os olhos postos na estrada. A concentração é total e agora nada pode falhar.
Infelizmente para mim o início foi de grande stress. A moto não quis pegar e tive de a trazer à mão até ao local da partida. Depois foi a procura do que poderia estar errado. Desligámos o road book elétrico, onde parecia estar a origem dos problemas. Os outros pilotos iam passando por mim e recebia o seu gesto de solidariedade, mas nada podiam fazer para me ajudar. Parti para a ligação com a cabeça a fervilhar. Tinha como principal preocupação conseguir concentrar-me para, com todas as limitações, fazer o melhor possível. Consegui terminar sem erros. Acho que não perdi demasiado tempo, mas estou preocupado. Quero chegar ao final da etapa e resolver este problema para poder pensar exclusivamente na corrida. Agora tenho pela frente mais de seiscentos quilómetros de ligação que nos vão consumir muitas horas.
Um abraço
Hélder Rodrigues