A reconstrução já está em marcha. Depois de um dos episódios mais marcantes do seu percurso recente, Ljubomir Stanisic (47) enfrenta agora o desafio de reerguer um dos seus projetos mais autorais, sem abdicar da identidade que o tornou uma referência no panorama gastronómico.
Sem um calendário ainda definido, o objetivo é claro: devolver o Carnal ao mapa da restauração lisboeta, preservando a sua essência, mas admitindo uma possível reinvenção. Num momento como este, reconstruir implica também reinterpretar — repensar o conceito, os espaços e a experiência que, até aqui, distinguiam o restaurante.
Apesar do impacto, não houve lugar a recuos. O grupo 100 Maneiras optou por assegurar a continuidade da operação nos restantes espaços, mantendo a equipa ativa e reforçando a ligação ao público. Paralelamente, decorre o trabalho técnico de avaliação e planeamento, essencial para dar forma ao próximo capítulo.

Adversidade transformada em oportunidade
É precisamente na dimensão conceptual que o desafio ganha maior expressão. O Carnal não era apenas mais um restaurante em Lisboa, mas um espaço de experiência, onde estética, sabor e provocação coexistiam numa linguagem própria. Um projeto que refletia, sem concessões, a personalidade de Ljubomir Stanisic: intensa, direta e intransigente na forma de ocupar o espaço público.
Num setor em que muitos projetos não resistem a crises desta magnitude, a resposta passa por transformar a adversidade em oportunidade. Tudo indica que, neste caso, a história está longe de conhecer o seu desfecho.
O ponto de viragem aconteceu na madrugada de 2 de abril. Um incêndio, que terá tido origem num edifício contíguo, propagou-se rapidamente num dos bairros mais movimentados de Lisboa e atingiu o Carnal. As chamas foram dominadas em cerca de meia hora, mas quando os meios de socorro chegaram, havia já pouco a recuperar.
Nos dias seguintes, equipas técnicas, seguradoras e elementos do grupo avançaram para um levantamento exaustivo dos danos. O diagnóstico foi inequívoco: perda total. Cozinha, equipamentos, estrutura interior e até peças artísticas concebidas especificamente para o espaço foram destruídas. Mais do que um restaurante, perdeu-se um conceito — agora pronto para ser reconstruído.
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