Muito antes de o Palácio de Kensington se tornar sinónimo da vida familiar do príncipe William (44) e de Kate Middleton (44), os seus corredores testemunharam momentos de tensão protagonizados por uma das personalidades mais marcantes da monarquia britânica. A princesa Margaret (1930-2002), irmã mais nova da rainha Elisabeth II (1926-2022), conquistou fama não apenas pelo seu estilo sofisticado e vida social intensa, mas também pelo temperamento impulsivo, que alimentou inúmeros episódios de atrito dentro da residência real.

Quando se instalou no apartamento 1A, em 1963, Margaret deu início a uma remodelação de grandes dimensões que se prolongou durante meses. As obras, marcadas por ruído constante, provocaram o desagrado de vários moradores do palácio, incluindo a princesa Marina (1906–1968), sua tia, que, segundo relatos de biógrafos, se mostrou profundamente incomodada com a situação. O episódio foi apenas o início de uma convivência que rapidamente ganhou contornos difíceis.

Ao longo dos anos, a vida privada da princesa também contribuiu para essa reputação. As discussões intensas com o então marido, Antony Armstrong-Jones (1930–2017), tornaram-se conhecidas entre funcionários e residentes, que afirmavam ouvir os desentendimentos ecoar pelos corredores do palácio. A forte personalidade de Margaret acabaria por alimentar a imagem de uma figura pouco tolerante e avessa a contrariada.
Ressentimentos que atravessaram décadas
Entre os episódios mais citados pelos especialistas em realeza está a relação difícil com Sir Alan Lascelles (1914–1995), antigo secretário particular da rainha. Margaret nunca escondeu o ressentimento que nutria por acreditar que ele desempenhara um papel determinante na oposição ao seu romance com Peter Townsend (1914–1995), oficial da Força Aérea britânica de quem esteve profundamente apaixonada. Segundo vários relatos históricos, a princesa chegou a demonstrar publicamente o seu desagrado sempre que se cruzava com o antigo funcionário da Coroa.
Décadas mais tarde, outra relação acabaria por deteriorar-se. Apesar de, numa fase inicial, manter uma convivência cordial com Diana (1961–1997), princesa de Gales, Margaret afastou-se completamente da sobrinha por afinidade após a divulgação de entrevistas e revelações sobre os bastidores da família real. O distanciamento tornou-se definitivo e passou a simbolizar a crescente divisão interna vivida pelos Windsor durante os anos 90.

Hoje, o histórico apartamento onde Margaret viveu é ocupado pelo príncipe William e por Kate Middleton quando permanecem em Londres. O ambiente é bastante diferente daquele que marcou a passagem da princesa pelo palácio, mas a memória dos episódios protagonizados pela irmã da rainha Elisabeth II continua a alimentar a curiosidade de historiadores e admiradores da monarquia britânica. Afinal, por detrás da imagem de elegância que sempre acompanhou Margaret, existia uma personalidade intensa que deixou uma marca singular na história da realeza.