A beleza natural da ilha da Madeira continua a ser uma fonte inesgotável de inspiração para criadores de todo o mundo. Desta vez, é a prestigiada artista plástica brasileira Ana Durães (64) que se deixa arrebatar pela envolvência do arquipélago. No próximo sábado, dia 23 de maio, entre as 17h00 e as 20h00, a pintora inaugura a sua mais recente exposição individual, intitulada ‘Insular’, na Estrada João Gonçalves Zarco, nº 496, em Câmara de Lobos.
Nascida em Diamantina (Minas Gerais) e dividida há largos anos entre a agitação da cidade do Rio de Janeiro e a tranquilidade da serra, Ana Durães guarda uma ligação antiga e afetiva a Portugal. Viajante convicta, com paragens prolongadas em Lisboa, a artista explora agora o conceito do isolamento e da envolvência marítima nesta mostra que promete surpreender os amantes da arte contemporânea.
Entre o real e o onírico: A natureza em mutação
Como define o escritor Durval de Barros no texto de apresentação da mostra, a grande virtude de Ana Durães reside na capacidade de “extrair a luz que existe na natureza e entregá-la como um ramo de flores“. Nas suas telas, a luminosidade da Madeira dita as regras: dissolve a matéria, define as cores e irradia formas através de composições figurativas que tocam as fronteiras do abstrato.
Se as árvores solitárias, as flores e as folhas sempre foram marcas registadas da sua pintura, nesta exposição surge um novo protagonista: o mar. O Atlântico aparece a circundar montanhas, vales, bosques, vinhedos e bananeiras. Tudo isto trabalhado através de técnicas de sobreposição, veladuras e raspagens que desafiam o espetador. Diante de cada quadro, instala-se a dúvida: o que vemos vem do real ou do imaginário? Trata-se de um êxtase contemplativo ou de uma visão onírica?

A crítica define Ana Durães como uma artista simultaneamente barroca, pop e contemporânea. As suas pinceladas, descritas pelo poeta Augusto de Campos como “visionistas e visionárias”, não retratam a natureza de forma estática, mas sim em constante mutação.
Uma carreira consagrada com assinatura internacional
Com uma formação sólida iniciada na Fundação Escola Guignard (1981) e concluída na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1987), Ana Durães soma já mais de quatro décadas de uma trajetória multipremiada.
A pintora já participou em centenas de exposições coletivas e assinou mostras individuais em algumas das instituições de arte mais importantes do mundo. No seu currículo destacam-se exibições no Museu de Arte Moderna de Salvador, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, no emblemático MASP (São Paulo), no Brazilian American Cultural Institute em Washington, e no Künstlerhaus na Áustria, além de projetos em Berlim, Paris e Nova Iorque. Em 2020, estreou-se no mercado galerístico lisboeta com a exposição ‘Natureza Alterada’, em diálogo com o fotógrafo Daniel Mattar (55), na Brisa Galeria.
A exposição ‘Insular’ surge assim como uma oportunidade única para os residentes e visitantes da Madeira testemunharem o encontro entre a força da pintura brasileira e a paisagem mística da ilha.
Informações Úteis:
Evento: Exposição Individual ‘Insular’ de Ana Durães
Data: 23 de maio
Horário: Das 17h00 às 20h00
Local: Estrada João Gonçalves Zarco, 496, Câmara de Lobos – Ilha da Madeira
Ver essa foto no Instagram