Destaque para a utilização da madeira de pinho, quer a nível estrutural quer do ponto de vista estético
O trabalho de reconstrução, da autoria do arquiteto Pedro Quintela, procurou resgatar a arquitetura popular, respeitando os materiais locais e a história do lugar
A cozinha, com frigorífico Anni 50, da Smeg, e caixas de fruta a servir de gavetas de arrumos. Na parede, 'voam' andorinhas de Rafael Bordalo Pinheiro
A balança de época, adquirida numa feira de antiguidades, separa visualmente a cozinha da sala. Os eletrodomésticos em inox adicionam modernidade
Mesa de jantar e cadeiras, em pinho, escolhido para emoldurar o espelho. Este reflete a luz e cria uma sensação de amplitude no espaço
A sala resulta num único espaço com várias áreas comunicantes. Na zona de estar, destaque para o sofá, em alvenaria e pinho maciço, desenhado à medida pelo arquiteto, mantendo-se fiel à identidade da construção original
O trabalho de marcenaria, como a estante e as portadas originais, penduradas na parede, têm um forte apelo visual e marcam o hall
Os degraus das escadas, com iluminação indireta, que levam ao piso superior, e a superfície irregular rochosa, que foi preservada, contrastam com o pavimento em tábua corrida e ajudam a quebrar a monotonia das paredes claras
A composição alia a simplicidade do mobiliário à reutilização de materiais, como o tronco, recolhido localmente, colocado junto à parede com prateleira, em pinho, e caixas de fruta, empilhadas, a fazer de organizadores, versáteis
Secretária, composta por tampo e cavaletes com prateleira, em madeira maciça, reguláveis em altura, da Ikea. Tudo aqui está à vista, acessível, também em nichos na parede
A planta vertical facilitou a divisão dos ambientes da casa. Para melhor aproveitamento do lote, as áreas íntimas, como os quartos e as casas de banho, concentram-se no piso superior
Ambiente marcado pela base neutra, alcançada através da madeira. No espaço de transição, entre o quarto e a casa de banho, cântaro antigo, em latão enferrujado, exibindo tronco local
Simples e acolhedor, este espaço, equipado com mesa de apoio e candeeiro da Ikea, é apoiado por uma prateleira, sólida e robusta, a servir de zona de estudo e leitura
A claraboia, estrategicamente colocada deixa entrar a luz natural, que, junto à iluminação indireta, cria uma atmosfera relaxante e intimista. A intervenção foi inteiramente inspirada em reminiscências da casa pré-existente
Também aqui se procurou usar ao máximo a transparência, através de 'panos' de vidro, aberturas com ligação visual ao exterior, trazendo-o para dentro da divisão
Ambiente, com área de duche revestida a pastilhas douradas, carinhosamente apelidado pelo proprietário de A Gruta de Ali Babá, dá apoio à área social e ao escritório (no rés-do-chão)
A implementação do revestimento, como a pastilha cerâmica, na área de duche, foi estruturada de forma a que se coadune com a madeira de pinho maciço sem a ofuscar. O espelho reflete a luz e duplica o espaço
Neste espaço, com 24m2, as extensões de vidro ajudam a dissolver as relações entre áreas íntimas e externas
Cadeira de baloiço, em chapa de bétula, e vitrina, em metal, com vidro temperado, peças da Ikea
Com 60m2, o terraço, no topo, funciona como zona de estar, convivência e contemplação, com vista sobre a Serra de Sintra, a vila da Azóia e o mar
Na vila da Azóia, em Sintra, um projeto de reconstrução com a assinatura de Pedro Quintela, do ateliê O Espírito do Lugar.
No topo de uma pequena rua, na histórica vila da Azóia, entre a serra e a vila de Sintra e as imponentes falésias, onde se ergue o farol do Cabo da Roca, há uma casa rústica, totalmente reconstruída, outrora uma velha muralha de pedras abandonadas. “Embora a intervenção tenha sido inspirada em reminiscências do pré-existente, nenhuma das paredes prevaleceu. Foram desmanteladas e sinalizadas as suas localizações originais para servirem de guias às novas paredes. Estas foram erguidas em tijolo, não só devido às suas características isoladoras, mas também pela menor espessura, ganhando-se uma área interior significativamente maior”, revela Pedro Quintela, do ateliê O Espírito do Lugar, arquiteto responsável pelo projeto e processo de reconstrução. A obra decorreu ao longo de dois anos, arrancando com uma equipa de cinco profissionais. “Devido às severas características climáticas do lugar e à proximidade das habitações circundantes, optou-se por ‘abrir a casa’ para poente”, conta o arquiteto, explicando a decisão: “Além de lhe conferir alguma proteção ao desagradável vento e às chuvas de norte, contribuiu para a sua privacidade relativamente às casas vizinhas e possibilitou uma vista privilegiada sobre a pitoresca rua e o Oceano Atlântico, como fundo, até à linha de horizonte, onde se pode contemplar o pôr-do-sol.”