Em Paris, um projeto de renovação com valores atuais
Sophie Dries assina o projeto de renovação e decoração de interiores deste apartamento, com uma área de 80m², situado na margem direita do rio Sena (Rive Droite) e pensado para um jovem casal: Kasia, designer de moda e apaixonada por cerâmica, e Paul, formado e ligado à área de tecnologia avançada.
À entrada do edifício, destaque para a arquitetura do século XIX e os elementos característicos do estilo Haussmann.
No hall, candeeiro de suspensão de Louis Weisdorf para a Gubi e cadeira de Philippe Starck para a galeria Paul Bourdet. Na parede, pintura de Etienne Pottier e trabalho vertical de David Douard. Maçanetas substituídas por modelo de Hector Guimard.
A luz natural inunda o espaço social - sofisticado, porém desprovido de ostentação. Sobre a lareira, em mármore, da época haussmaniana, jarra de Alvar Aalto. Aplique de parede de Olivier Abry e obra do artista Stefan Marx. Cortinas de linho feitas pela proprietária.
Refeições. Mesa, banco e banquetas, em bronze e carvalho preto fosco, de Valentin Loellmann para a galeria Gosserez. Vaso, em cerâmica preta e latão, da arquiteta Sophie Dries. Na parede, entre janelas, máscara cerâmica do artista Etienne Pottier.
Na zona de estar, sofá, em veludo verde-água, do Atelier 55, mesa de centro do britânico Max Lamb e tapete de lã. Aplique do lighting designer Olivier Abry e banqueta Mickville, de Philippe Starck para a galeria Paul Bourdet.
Ligações. A zona de refeições comunica com o espaço de trabalho. Ali, junto à lareira de gesso, cadeira Nobody's Perfect, em resina, com a assinatura de Gaetano Pesce. Na parede, trabalho em madeira queimada do artista francês Edgar Sarin.
O espelho antigo reflete o trabalho da artista visual francesa Annette Messager, colocado na horizontal, por cima da porta. Sobre a lareira, em gesso, ‘esculpida’ à mão, inspirada no trabalho de Diego Giacometti e Valentine Schelgel, jarra da coleção Traces, assinada por Sophie Dries.
No espaço de trabalho, mobiliário vintage (mesa Art Déco, cadeiras Baumman) e candeeiros industriais, em metal, da arquiteta e designer francesa Charlotte Perriand. Conjunto de quatro gravuras do artista Sol LeWitt e litografia da pintora parisiense Aurélie Nemours.
Na cozinha, armários em nogueira americana e revestimento em pátina de latão, “com padrão único, que lembra os celestógrafos de August Strindberg de 1890”. Sobre a bancada, tigelas de cerâmica feitas à mão.
Pormenores. Bancada de cimento polido, lava-loiça da Franke e torneira da Vola. Fruteira vintage, dos anos 80, da galeria Paul Bourdet.
No quarto, cabide de pé vintage, de Philipe Starck para a galeria Paul Bourdet, e suspensão “light object 017”, de Naama Hofman. Prateleiras em carvalho maciço tingido de escuro, feitas à mão nos Alpes franceses.
Detalhes. Jarra, de Sophie Dries, com arranjo floral de Arturo Arita.
Na casa de banho, formas curvas inspiradas nas ilhas gregas e casas cicládicas. O acabamento, em cimento polido esbranquiçado, contrasta com os apontamentos de latão. Caso do aplique de parede vintage, do toalheiro-aquecedor da Caleido e da torneira com design de Arne Jacobsen para a Vola.
Apartamento, de estilo Haussmann, pensado para um jovem casal, amante de arte e design contemporâneos. Projeto com a assinatura da arquiteta Sophie Dries.
Os proprietários pediram à arquiteta Sophie Dries, responsável pelo projeto de renovação e decoração de interiores, que criasse “um ambiente único e contemplativo para viverem e trabalharem cercados pela sua coleção de arte (que inclui obras de Alexander Calder, Sol LeWitt, François Morellet, Vera Molnar, Kees Visser ou Annette Messager, bem como trabalhos de artistas emergentes, como Edgar Sarin, Vittoria Gerardi ou Paloma Proudfoot) e design contemporâneos”.
Ícones de designers como Philippe Starck ou Gaetano Pesce e peças encomendadas e feitas em exclusivo para o projeto (caso do mobiliário do holandês Valentin Loellmann e da iluminação de Olivier Abry) contrastam harmoniosamente com a arquitetura de interiores do século XIX e os elementos característicos do estilo Haussmann, que foram respeitados e mantidos.
Cada espaço, das zonas sociais às áreas íntimas, atua como ‘galeria’ privada, exibindo o equilíbrio entre passado e presente, tradição e modernidade.