
O artista português Artur Bordalo (1987), conhecido como Bordalo II, chamou a atenção por usar o lixo das ruas para criar esculturas de animais surpreendentes. É seu propósito alertar para a problemática da poluição e para espécies que se encontram ameaçadas de extinção. “Pertenço a uma geração extremamente consumista. Com a produção de coisas no auge, o lixo também chega a níveis inéditos”, explica o artista.

Após 17 anos na enfermagem, graças a uma pausa na carreira para criar os filhos, Jane Perkins licenciou-se em têxteis e descobriu o seu lado peculiar. Encontrou emoção na utilização de materiais com uma história e amor pela arte. São pequenas peças, com tamanhos e cores que se encaixam nos lugares certos, formando figuras. “Em Plastic Classics, os antigos mestres recebem uma reviravolta contemporânea. Utilizo qualquer coisa do tamanho, forma e cor certa: brinquedos, conchas, botões, missangas, joias partidas, etc. Nenhuma cor é adicionada – tudo é utilizado exatamente como encontrado”, explica a artista.

Ricardo Ramos foi pescador e marisqueiro até ao dia em que resolveu lançar as redes para pescar o lixo das praias. Começou a usar essa matéria-prima para fazer esculturas focadas na temática marítima. Xico Gaivota trata o “lixo” que recolhe, são peças que junta, mas não manipula, não pinta, não corta, não dobra. “O meu trabalho não é só aquilo que se vê, é essencialmente aquilo que não se consegue ver”, conta.

Num olhar mais fugaz, as obras de arte da artista turca Deniz Sagdic podem parecer pinturas a óleo. Na realidade são obras feitas inteiramente a partir de resíduos descartados, desde botões de calças até às clássicas embalagens de plástico. “Há cerca de dez anos, olhei à minha volta e apercebi-me de que havia muito desperdício”, diz a artista.