Envolvente. Volume social envolvido por jardim contemporâneo, com arquitetura paisagista da Master Natura. Aço corten, pedras vulcânicas e vasos do Atelier Vierkant.
À entrada. A moradia, pensada de modo a promover a integração visual entre os espaços, conta com pavimento exterior em mármore Branco Ibiza bujardado. Porta em ónix retro iluminado, da Panoramah, com puxador em bronze.
Transparência. No hall, com piano de cauda e ‘paredes’ de vidro, pavimento em quartzite Perla Venatta. Cortinados com tecido da Aldeco.
Zona social. Pavimento em microcimento e estantes em metal lacado, feitas à medida. Painel em madeira de carvalho com velatura escura.
Nesta sala, sofá forrado a tecido da Nobilis e mesa com tampo em mármore Invisible Grey. Móvel de TV em ébano de macassar, com detalhes em latão. Sobre contador antigo, em pau-santo e marfim, candeeiro de mesa Taccia, dos irmãos Castiglioni para a Flos.
Detalhes. Chaise-longue com tecido da Dedar. Porta-garrafas, escultura de Paulo Neves.
Garrafeira. A porta escultórica, quando aberta, convida à degustação de vinhos. A luz natural, vinda do chão, faz ‘levitar’ as paredes de madeira.
Poltronas forradas com tecido da Rubelli. A estante-biombo, em metal lacado a dourado, ajuda a delimitar os ambientes de forma leve sem, no entanto, quebrar a comunicação visual e interferir na sensação de amplitude.
A TV surge oculta pelo espelho da Glass Media. Lareira a bioetanol com base em pedra natural quartzite Perla Venata. Mesa de centro em vidro bronze, com estrutura metálica e detalhes em pele. Sobre os sofás, almofadas com tecido das marcas Rubelli e Designers Guild.
A área de estar comunica visualmente com a casa de jantar. Ali, mesa de refeições, com tampo em quartezite Patagónia e pés em latão, cadeiras em madeira lacada a alto brilho, com tecido da Nobilis, e candeeiros de suspensão da Magic Circus.
Cozinha. No que toca a materiais, as escolhas recaíram sobre o Neolith, pedra natural presente nos tampos, e a madeira de Zebrano, lacada a branco mate, nos armários. Modelo personalizado para o projeto pela Ayeme Cozinhas.
Com ilha. A bancada, ideal para a preparação de alimentos, dá também lugar a refeições rápidas e informais. Cadeiras altas, em pele, com estrutura metálica em latão e candeeiros de teto da Giopato & Coombes.
Transição. No piso térreo, destaque para as superfícies revestidas a madeira (cutelo) de teca. As escadas, em pedra quartzite Perla Venata, levam ao andar superior.
Na suíte, cabeceira de cama, em gomos de pele, com detalhes em latão. Mesas lacadas com puxadores em latão e candeeiros Atollo, da Oluce. Almofadas com padrão, em tecido da Kelly Wearstler, e manta da Missoni. Pufes em tecido salmão, com pés em latão.
O biombo, em tubulares de latão, ajuda a dividir a zona de dormir (cadeiras com tecido da Aldeco, sofá forrado a tecido da Designers Guild e candeeiro de pé da Tom Dixon) e o espaço de trabalho. Aqui, secretária em MDF lacado e cadeira em tecido, com pés em latão. Pavimento em carvalho e teto com sanca de luz indireta.
Walk-in-closet: armários com portas em alumínio e vidro. Prateleiras brancas, com fundo em espelho bronze. Candeeiro da Delta Light e pufe em tecido da Lelièvre, com pés em latão.
No quarto principal, almofadas decorativas, cabeceira de cama e banqueta em madeira com velatura, com tecidos da italiana Dedar. Mesas lacadas com detalhes em latão e candeeiros em mármore, com abajur em tecido.
Sobre a cama, têxteis das marcas Designers Guild (colcha) e Nobilis (manta). Cortinas em tecido da Aldeco. Destaque para os rodapés em latão e a porta em vidro, com estrutura metálica lacada.
Banho. Uma caixa aberta para o exterior, convidando-o a entrar, graças à transparência da parede de vidro. Duche ou banho de imersão? Chuveiro e misturadoras da Bruma. Banheira da Nuovvo.
Simbiose. A parede preta, revestida a chapa lacada, realça o óculo envidraçado, elemento arquitetónico que “rasga” o volume da moradia. Candeeiro de suspensão da marca londrina Lee Broom.
Móvel de lavatório em pau-ferro, desenhado para o projeto. Nos revestimentos, pedra natural quartzite Perla Venata. Porta, em metal lacado, com diferentes tipos de vidro.
Piscina. O corredor de natação da casa, com iluminação em fibra ótica, é revestido a mármore, numa combinação de Verde Oceano e Branco Ibiza.
Volume. O projeto de arquitetura, da autoria de Ricardo Azevedo, privilegiou as extensões de vidro e o zinco preto, material nobre e resistente.
A integração e a continuidade visual entre interior e exterior revelam a essência da Casa de Lavra com projeto de arquitetura de Ricardo Azevedo.
Na casa preexistente, datada dos anos 80, com uma linguagem tradicional e um jardim ao seu redor, a relação entre interior e exterior era nula. “Existem muitas construções sem valor arquitetónico, e esta era uma delas. Sentia-se uma separação de realidades”, diz o arquiteto Ricardo Azevedo. “Houve a necessidade de conectar estes dois ambientes para que se fundissem e se completassem. O conceito do projeto parte dessa vontade de estar, simultaneamente, dentro e fora sem identificar os seus limites.”
A integração, que é a alma da Casa de Lavra, nome dado ao projeto, resulta das respostas arquitetónicas encontradas para a resolução dos problemas identificados. “O lobby de entrada, a ampliação da zona de estar e um novo volume social definem os três paralelepípedos transparentes que se elevam da base sem quebrar a relação com a Natureza envolvente premeditada. Esta expansão programática fundiu-se e reforçou a intenção de interligar o interior e o exterior”, nota o responsável.
O paisagismo, da Master Natura, assim como a decoração, a cargo da AAR Déco, sublinham o olhar do arquiteto, que trabalhou com “liberdade total”, em estreito diálogo com o cliente. “Falávamos uma mesma língua.”
Para promover a vista de mar, outrora inexistente, foi criada “uma suíte, com varanda, um segundo piso que pousa na cobertura. Daqui, a casa espreita o mar. Estava perto, mas não se via. Agora os barcos que esperam no Porto de Leixões são o quadro de fundo de uma parede de vidro que se abre para o horizonte”.