
Marta Amado, Maria Cavaco Silva e Maria da Conceição Côrte-Real
Victor Freitas
Num discurso forte e eloquente,
Maria Cavaco Silva apelou à denúncia dos casos de violência doméstica, reforçando a vergonha que está implícita no facto de este ser ainda um tema bastante actual. A mulher do Presidente da República falou durante a entrega dos donativos do Bazar Diplomático, organizado pela Associação dos Cônjuges dos Diplomatas Portugueses (ACDP), que todos os anos escolhe um conjunto de associações para receber os donativos. Este ano foram seleccionadas as associações que apoiam vítimas de violência doméstica.
"A capacidade de denunciar talvez tenha sido o grande avanço dos últimos anos. Essa capacidade de denúncia e o facto de a lei considerar crime a violência doméstica permite-nos caminhar para a solução do problema. Até porque os números são assustadores e é urgente fazer alguma coisa", denunciou Maria Cavaco Silva, referindo ainda: "
É uma vergonha que continuemos com este tema tão actual e que tenham de existir tantas associações para acolher as vítimas… Vítimas que têm que andar escondidas, enquanto quem faz o mal continua à solta. Por isso, é preciso denunciar."
A recepção aos representantes das associações aconteceu num final de tarde cheio de sol, que permitiu um coquetel no terraço do Palácio de Belém, ao qual se juntaram ainda as embaixatrizes e outros representantes dos países que contribuíram para este bazar. No total foram angariados entre os representantes estrangeiros cerca de 46 mil euros, valor que chegou aos 60 mil euros com a contribuição portuguesa, e que foi distribuído por dez associações.
Maria da Conceição Côrte-Real, presidente de ACDP, não escondeu que ambicionava mais: "
É pouco, gostávamos de ter mais, mas tem sido um ano complicado, de crise. No fundo, estes donativos são uma gota de água que mata a sede a muita gente."
No final, Maria Cavaco Silva mostrou-se satisfeita com a iniciativa, agradeceu pessoalmente a todas as embaixatrizes e deixou ainda um forte elogio aos representantes das associações:
"Há uma coisa que nunca se estraga, que nunca falta nestas instituições e que nunca é de mais, porque quanto mais se distribui, mais cresce: É o amor", concluiu a primeira-dama.