Aos 25 anos,
Joana Santos interpreta o seu primeiro papel televisivo de grande destaque, na novela da SIC
Laços de Sangue, e logo como a má da fita. Um papel exigente que premeia o esforço da jovem atriz, que tem na humildade uma das suas principais características. Foi em
Rebelde Way que começou a chamar a atenção, mas depois disso decidiu fazer um intervalo para aprofundar conhecimentos e aperfeiçoar a arte da representação. A opção terá dado resultado, como o confirma o papel em
Laços de Sangue. E se a nível profissional Joana atravessa um momento alto, a nível pessoal está igualmente numa fase de excelência: embora salvaguarde o nome do namorado, não esconde que mantém uma relação há mais de um ano e confessa-se muito feliz.

– Depois de ter feito um intervalo no trabalho, regressou em grande, num papel que exige maior dedicação e por certo lhe rouba muito tempo. Sentiu o impacto na sua vida?
Joana Santos – Sim, foi uma mudança drástica. No início nem gravava assim tanto, mas agora sinto muito. Durante a semana vivo para a novela, mas não me importo nada, porque é sinal que tenho trabalho e que o meu trabalho está a ser reconhecido. E ao fim de semana consigo sempre estar com a família e os amigos.
– E para namorar, consegue tempo?
– Tenho tempo para namorar, sim, [risos] até porque vivemos juntos. E sempre que conseguimos, passamos o fim de semana fora de Lisboa, o que é ótimo.
– Sei que ele trabalha no meio, pelo que perceberá o seu trabalho e os horários apertados…
– Ele percebe muito bem o meu trabalho, está superorgulhoso de mim, apoia-me em tudo, dá-me conselhos.
– Críticas?
– Críticas também, claro. Por acaso ainda não ouvi críticas negativas, mas aceito-as da melhor forma. Uma coisa que me têm dito é que tenho um lado muito intuitivo, mas que às vezes, em cenas que exigem uma carga dramática maior, poderia ajudar se eu tivesse mais técnica, ou mais estudos. Porque não me magoaria tanto a mim própria, e concordo perfeitamente com isso. Aliás, é minha intenção trabalhar mais e estudar de novo. Não digo que seja para já, porque não gosto de planear o futuro. Prefiro viver o presente, porque depois posso não conseguir atingir os objetivos e fico frustrada. Por isso, uma coisa de cada vez. Mas pretendo estudar mais.

– Muitos atores preferem esconder as suas fragilidades. No seu caso, está a abordar clara e publicamente uma delas sem problemas…
– É verdade. Sei quanto valho. Sinto que estou a progredir para ser uma boa atriz e, para ser melhor ainda, tenho que estudar e aprender mais.
– Este projeto surgiu na altura certa?
– Apareceu no momento ideal, no ano certo. Antes da novela, estive algum tempo parada e decidi fazer algumas coisas que nada tinham que ver com representação. Organizei um evento com amigos no qual fiz produção, e isso fez-me crescer muito a nível profissional e pessoal. Porque foi um projeto financiado por nós, em que tivemos que lutar pelo que queríamos e fez-me perceber as dificuldades que existem e o quanto é importante ter que lutar pelas coisas.

– Agora faz um papel de vilã. Está a gostar?
– Acho que qualquer ator gosta de fazer o papel de mau da fita, porque exige maior pesquisa e permite-nos brincar muito mais. Estou a adorar. E esta personagem não é uma vilã típica, porque ela sofreu uma grande injustiça no início da novela, em que era uma miúda perfeitamente normal. Era revoltada com a vida porque sonhava um pouco mais alto e os pais não lhe podiam dar isso. A certa altura descobre que poderia ter tido uma vida muito melhor e começa a lutar por isso. Agora, se os meios que utiliza são os melhores, isso já é discutível. E depois é uma vilã que tem fragilidades e que se cansa das maldades que faz.
– Sente alguma afinidade, em algum ponto que seja, com a personagem?
– À medida que vou fazendo a personagem, ela fica mais enraizada em mim, mas é óbvio que não faria as coisas que ela faz. Agora, às vezes consigo compreender as frustrações dela, os objetivos, e isso ajuda-me a interpretá-la.

– Na rua, as pessoas abordam-na por ser a má da fita?
– Não muito. Primeiro, moro em Lisboa, e acho que as pessoas andam mais preocupadas com a vida delas do que em olhar para os outros; depois, sou completamente diferente da minha personagem, pelo que acho que não me reconhecem. [risos] Mas acontece uma coisa engraçada: têm vindo ter comigo muitos homens que dizem que agora veem novelas e gostam muito da minha personagem. E é claro que já houve pessoas que me abordaram a dizer que não devia fazer aquelas coisas à minha irmã. Mas depois sorrio e dizem-me que até tenho um sorriso bonito e que nada tem que ver com a personagem.
– Este projeto veio dar-lhe um novo alento?
– Sim, porque consegui subir um degrau de cada vez e era esse o meu objetivo. E veio mesmo no momento certo da minha vida: tenho 25 anos, a personagem 31. Consigo compreender tudo de uma forma melhor. E sinto que estou a colher os frutos do meu trabalho. Penso que consigo fazer bem o meu trabalho, sou uma atriz em progressão, e quero continuar a crescer.
– Entretanto, está a chegar o Natal. Como passa habitualmente esta época?
– O Natal vai ser passado com a minha família, em casa dos meus pais. Desde a morte do meu avô, há cerca de seis anos, o Natal perdeu algum significado para mim. Mas reunimo-nos sempre a 24 e 25 em casa dos meus pais e cumprimos as tradições: há presentes debaixo da árvore, bacalhau e peru na mesa. O meu irmão já tem 15 anos e, por isso, já não falamos do Pai Natal, mas é animado na mesma. E é uma boa oportunidade para passar mais tempo com eles, sobretudo agora que tenho mais trabalho.
– E a passagem de ano?
– Já tenho algumas ideias… Devo ter uns dias de férias, por isso agora estou a tratar de definir para onde vou.
– O Natal será em família e o fim de ano a dois?
– Sim, vai ser sobretudo a dois, mas também com amigos.
– Depois de um ano tão positivo, que espera para 2011?
– Espero continuar a ter trabalho… Neste momento posso dizer que estou feliz a nível pessoal e profissional e espero continuar assim. Atravesso um bom momento, muito bom.
*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.