Aos 29 anos,
Natalie Portman espera o primeiro filho e, quem sabe, o primeiro Óscar. Não admira que diga que se sente
"indescritivelmente feliz". No filme que lhe valeu a nomeação da Academia – um trabalho duplamente relevante, já que foi precisamente na rodagem de
Cisne Negro que conheceu o pai do seu filho, o bailarino e coreógrafo
Benjamin Millepied – Portman investiu de alma e coração: fazer de primeira bailarina exigiu um treino intensíssimo, associado a uma dieta rigorosa.
"Houve dias em que pensava que ia morrer", recorda a atriz, que estudou ela própria
ballet até aos 13 anos.
"Foi por certo o papel mais exigente fisicamente que alguma vez fiz. Um ano antes comecei com uma professora de ballet
,
Mary Helen Bowers, duas horas por dia nos primeiros seis meses. E dois meses antes de começarmos a filmar acrescentámos a coreografia, por isso, provavelmente treinava oito horas por dia."

Uma experiência que lhe permitiu compreender melhor como é que uma bailarina pode tornar-se autodestrutiva na sua busca pela perfeição, como é o caso da sua personagem, Nina.
"Acabamos por perceber a autoflagelação de uma bailarina, que vive uma espécie de vida monástica, exclusivamente virada para o trabalho, não bebe, não sai com os amigos, não come muito, expõe constantemente o corpo a um grande sofrimento." Não é difícil prever que, caso o bebé de Natalie Portman venha a ser uma menina, dificilmente a mãe a encorajará a tornar-se bailarina.
"Provavelmente não", ri-se a atriz.
"Obviamente que encorajaria o sonho de um filho e há algo extremamente belo nos bailarinos, porque é uma arte onde não existem recompensas superficiais, não se ganha fama, não se ganha dinheiro, é puramente pela arte, pelo amor ao que se faz. Mas pode ser um mundo muito cruel."

Em contraste com a exigência deste filme, Portman vê estrear quase em simultâneo
Sexo Sem Compromisso, uma comédia romântica onde contracena com
Ashton Kutcher, namorado de
Demi Moore.
"Tive imensa sorte por ter tido essas duas experiências, passar de um treino rigoroso e disciplinado para este papel descontraído, despreocupado e divertido." A sua carreira cinematográfica teve início aos 12 anos, no filme
Léon, o Profissional.
"Todas as atrizes da minha geração começaram quando eram crianças:
Scarlett Johansson,
Kirsten Dunst
,
Christina Ricci
,
Claire Danes
,
Keira Knightley
, todas nós. Dá-nos claramente uma vantagem, mas pode tornar-se perigoso, sobretudo se os pais estão financeiramente envolvidos, como quando dependem do dinheiro ganho pelos filhos. Isso nunca aconteceu na minha família."

Nascida em Jerusalém com o nome de Natalie Hershlag, mudou-se com a família para os Estados Unidos quando tinha três anos. O pai é especialista em infertilidade e a mãe artista.
"Os meus pais são uns santos. São as melhores pessoas do mundo e nunca quiseram que eu representasse. Foram-me apoiando, mas nunca me deixaram trabalhar enquanto estudava. Não tiraram um cêntimo do meu dinheiro. Ainda hoje o meu pai me põe uma nota de cem dólares no bolso quando vou lá a casa e diz: ‘Não quero que vás ao multibanco à noite’. Os meus pais nunca quiseram ganhar nada com a minha carreira. Eram mais do género: ‘Não, isto não é apropriado para tu fazeres aos 12 anos’, ou ‘não podes trabalhar durante a época de aulas’, ou ‘achamos que este realizador não te vai tratar bem’. Era este tipo de envolvimento que tinham. De resto, são praticamente perfeitos."

Em criança, Portman desenvolveu bastante o seu lado criativo.
"Passava muito tempo sozinha, porque sou filha única. Quando íamos de férias, era só eu, por isso, passava horas a inventar histórias para os meus brinquedos." O
ballet e a dança abriram-lhe o apetite para as artes.
"Quando era pequena, grande parte dos miúdos que viviam em Long Island fazia publicidade, os pais punham-nos a fazer esse tipo de trabalhos para ajudar a pagar a escola ou outras despesas. Por isso, muitos miúdos que eu conhecia da escola ou da dança tinham agentes e eu era do género: ‘Também quero um, mãe!’ Pedi, pedi, e finalmente os meus pais concordaram." Acabou por ser ‘descoberta’ por um agente aos 11 anos, numa pizaria.
"Estava à espera daquele momento. Queria tanto que acontecesse! Tive muita sorte." De pés bem assentes na terra, começou a carreira, mas prosseguiu igualmente os estudos.
"Nunca faltei à escola para trabalhar. Talvez uma semana aqui ou ali, mas só estava autorizada a rodar filmes nas férias e andava numa escola pública, por isso dava-me com crianças normais da minha idade, de quem ainda sou amiga." Entretanto, resolveu usar o apelido da avó como nome artístico, o que lhe permitiu preservar a sua privacidade, mesmo enquanto estudou Psicologia em Harvard. E agora que espera o primeiro filho deseja conseguir manter a sua vida pessoal o mais discreta possível. Uma tarefa que não se adivinha fácil…
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*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.