Apesar da sua aparente tranquilidade,
Sara Esteves Cardoso, de 30 anos, só sabe viver a vida com intensidade e jamais recusa um desafio. Por isso, foi com agrado que aceitou o convite para ser a relações-públicas do Meo Spot Summer Sessions, em Portimão, até porque o facto de trabalhar somente à noite permite-lhe ter o dia livre para terminar o seu mais recente projeto: um romance.
Foi sobre esta sua paixão pela escrita – dever-se-á em parte à carga genética, não fosse ela filha do escritor e jornalista
Miguel Esteves Cardoso – e sobre a forma como lida com a solidão, visto que está solteira, que conversámos com Sara.
– Soube que está a escrever um romance…
Sara Esteves Cardoso – [risos] É verdade e aqui aproveito para criar um ritmo e uma rotina para isso, o que em Lisboa não estava a conseguir. Comecei por escrevê-lo no ano passado, quando estava numa situação idêntica a esta e também no Algarve. Aqui consigo fazer praia de dia, escrever ao final da tarde, no lusco-fusco, durante duas horas, e trabalhar à noite.
– Herdou do seu pai essa paixão pela escrita?
– Nasci e cresci no meio dos livros, da arte e da música. E a escrita é uma das minhas formas, visceral, de comunicar. Com certeza que esta paixão já vem do ADN do meu pai [risos].
– E ele foi a primeira pessoa a saber da existência deste livro?
– Estou ciente de que estou a pisar um terreno em que o meu pai é um dos melhores e, por isso, considero que é um ato de coragem… Ele é o meu maior crítico e por isso mostrei-lhe só três páginas, para que ele visse se tenho jeito ou não. Ele adorou… E chorou…
– Receia as comparações que provavelmente serão feitas?
– Não. Somos ambos românticos incuráveis, mas cada pessoa é um ser uno e tem as suas
fantasias. Acho que Lisboa precisa de uma história de amor. Amar é um ato de coragem e vive-se num corrupio tão grande que nem se tem tempo para sentir. Se eu puder contribuir para que um
target muito pequenino não veja o amor como um lugar estranho, já fico muito feliz.
– Sendo uma mulher tão apaixonada que gosta de escrever sobre o amor, como é que lida com a solidão?
– Comecei a namorar muito cedo e aos 14 anos tive logo uma relação de cinco anos… Há uma fase da vida em que já estamos fartos de despedidas, de começar e acabar. E estar sozinha faz bem. Temos de ser exigentes e verdadeiros connosco e estar só por estar, não estou. Neste momento o meu namoro é o meu romance, onde partilho as minha fantasias, choro e me dedico. Adoro estar comigo e não tenho medo nenhum de estar sozinha.
– E essa forma de pensar não condiciona o futuro?
– Talvez, mas penso em viver o dia-a-dia e esperar as surpresas que daí possam vir. Não tenho essa ansiedade, e é por essa forma de pensar que muitas pessoas ficam com outras somente porque é mais confortável.
– Mas casar e ter filhos faz parte dos seus planos?
– Claro que sim. Adoro o sentido de família. Tenho uma paixão incondicional por crianças e sempre que posso estou com o meu sobrinho
António [de dois anos e cinco meses, filho da sua irmã gémea,
Tristana]. Penso nisso tudo, quero ter uma família, casar-me se for o caso, partilhar a vida, mas cada coisa a seu tempo. Não tenho urgência… Sei exatamente o que quero e até poderia já me ter casado e ter tido filhos, mas na altura não eram as pessoas certas.