
Paulo Miguel Martins
Quem olhe para Inês Monteiro, de 23 anos, não imagina que esta mulher bonita e sensual já se sentiu tão insegura ao ponto de não sair de casa sem estar maquilhada. Ao longo de vários anos, a atriz viveu complexada com a sua imagem, uma luta que só venceu quando começou a trabalhar em televisão. Se o mediatismo torna muitas pessoas mais exigentes com aquilo que veem ao espelho, neste caso foi exatamente o contrário. Hoje, Inês reconhece a sua beleza, sentindo-se livre para sair à rua sem máscaras.
Numa conversa franca, a atriz, que faz sucesso na série da SIC Golpe de Sorte, revelou ser uma mulher determinada, que enfrenta os seus medos e é capaz de mudar totalmente de vida para concretizar um grande sonho.
– Acabou de gravar a série Golpe de Sorte, que foi o seu segundo projeto em televisão. Como têm sido estes primeiros passos na representação?
Inês Monteiro – Está a ser o realizar de um sonho. O primeiro projeto, a novela Vidas Opostas, correu muito bem e foi uma verdadeira surpresa. Depois, o Golpe de Sorte também foi espetacular, porque trabalhei com pessoas maravilhosas. Aprendi muito com todos os atores. Quero muito ser uma boa atriz e chegar ao nível a que eles chegaram. Tento sempre dar o meu melhor.
– Sempre quis ser atriz ou foi uma oportunidade que surgiu sem estar à espera?
– Estava a estudar Arquitetura no Porto quando fiz um casting. Nessa altura não fui escolhida, até porque ainda tinha um sotaque mais carregado, mas gostei muito da experiência. Foi por isso que há dois anos decidi vir para Lisboa estudar representação.
– E nesta mudança de vida teve o apoio da sua família?
– Para o meu pai foi muito difícil aceitar esta mudança. Tive sempre um percurso muito certinho, que culminou com a minha entrada em Arquitetura. O meu pai pediu-me para acabar primeiro o curso, mas isso implicaria ficar mais três anos no Porto. Apesar de lhe ter custado, apoiou-me e veio comigo procurar casa em Lisboa. Senti que tinha de arriscar e de seguir o meu coração. Não tenho medo, mas não deixo de ter os pés bem assentes no chão.
– E sempre foi uma menina certinha ou passou por alguma fase de rebeldia?
– Sempre fui bem-comportada e cumpri com as minhas obrigações. Claro que também saio e me divirto com os meus amigos. Tenho uma vida equilibrada. Sou uma pessoa muito tranquila, mas quando algo mexe comigo deixo que as minhas emoções se manifestem sem filtros. Vivo intensamente as minhas relações. Os meus amigos sabem que podem contar comigo incondicionalmente. Por vezes levo as coisas muito a sério. Não me importava de viver com mais leveza. A minha mãe diz-me que nunca fui criança, sempre fui muito adulta. Talvez tenha sido sempre demasiado madura para a minha idade, mas sou feliz assim.