Quando ocupar o seu lugar na Casa Branca, Jill Biden entrará para a História dos Estados Unidos como sendo a primeira mulher de Presidente a manter o seu emprego, já que tenciona continuar a dar aulas de Inglês numa universidade da Virgínia do Norte, como, aliás, o fez enquanto o marido foi vice-presidente.
“Ensinar não é o que eu faço, é o que eu sou”, justifica Jill Biden, que a partir de 20 de janeiro, data em que o marido, Joe Biden, tomará posse como Presidente dos EUA, tenciona ser mais interventiva do que a sua antecessora, Melania Trump, cujas preocupações parecem nunca ter ido muito para além da escolha do guarda-roupa e das decorações de Natal da residência oficial. “É importante continuar a ensinar. Espero que as pessoas valorizem os professores, a sua profissão”, sublinha Jill Biden, confidenciando: “Dou aulas a muitos emigrantes e refugiados, adoro ouvir as histórias deles, o que eles são enquanto pessoas, e gosto de sentir que os posso ajudar no seu caminho para o sucesso.”
Nascida em Nova Jérsia, Jill passou a maior parte da infância na Pensilvânia, sendo a mais velha de quatro irmãs que nasceram do casamento de um bancário e uma dona de casa. Quis estudar Merchandising de Moda, curso do qual se desencantou, acabando por abraçar uma formação em Inglês na Universidade de Delaware. Terminou-a em 1975, ano em que pôs fim ao seu casamento de cinco anos com Bill Stevenson e conheceu Joe Biden, ao lado de quem acabaria por formar família enquanto progredia na sua formação académica: um bacharelato em Artes pela Universidade de Delaware nesse mesmo ano, dois mestrados, um em Educação, com especialidade em Leitura, no West Chester State College, em 1981, e outro em Artes em Inglês, pela Universidade de Villanova, em 1987. Em janeiro de 2007, aos 55 anos, recebeu ainda o título de doutora em Educação com Liderança Educacional pela Universidade de Delaware.
Quando Jill entrou na vida de Joe Biden, o então senador acreditou que esta tinha sido enviada pela sua primeira mulher, Neilia, que morrera anos antes num acidente de carro, no qual perdeu também a filha, Naomi, de um ano e meio. Os filhos Hunter e Beau, que também seguiam no carro, sobreviveram. “Quando entrei neste relacionamento, vi o quão forte era o vínculo entre Joe e os dois filhos e como os três eram dependentes uns dos outros. Era como um pequeno círculo fechado. E eles deixaram-me entrar”, recorda Jill, que abraçou a família de Biden como sua. Mais tarde, em 1981, nasceria a primeira e única filha do casal, Ashley. “Esta mulher salvou-me a vida”, garantia, anos mais tarde, Joe Biden, que encontrou em Jill o seu porto seguro.
Juntos há 43 anos, os dois enfrentaram inúmeros dramas familiares, primeiro com episódios que resultaram da dependência de álcool e drogas do filho Hunter, e, em 2015, a morte do filho mais velho de Joe, Beau, vítima de um tumor no cérebro. “Quando se perde um filho, muda-se para sempre. Não voltamos a ser a mesma pessoa que éramos antes”, confirma Jill Biden.