
“O aborto que fiz na adolescência foi a decisão mais difícil da minha vida, causou-me angústia na época e entristece-me até agora”. As palavras são de Uma Thurman, que escreveu um artigo de opinião para o ‘The Washington Post’, publicado esta terça-feira, dia 21, em que revela este episódio doloroso da sua adolescência. Uma decidiu revelar esta experiência para condenar a controversa lei do aborto no Estado do Texas que entrou em vigor.
“Comecei a minha carreira de atriz aos 15 anos, a trabalhar num ambiente onde geralmente era a única criança na sala”, conta. “No final da minha adolescência, engravidei acidentalmente de um homem muito mais velho. Vivia com uma mala na Europa, longe da minha família e prestes a começar um trabalho. Tive dificuldade em descobrir o que fazer.”
Depois de falar com os pais, decidiu não levar a gravidez para a frente. Recorreu a um consultório médico em Colônia, na Alemanha, para fazer o procedimento. “Doeu terrivelmente, mas não me queixei […] Tinha interiorizado tanta vergonha que senti que merecia a dor.”
E continua: “O aborto que fiz na adolescência foi a decisão mais difícil da minha vida, angustiava-me na altura e ainda hoje me entristece, mas foi o caminho para uma vida cheia de alegria e amor que tive depois”, partilhou . “Escolher não manter aquela gravidez precoce permitiu-me crescer e tornar-me a mãe que eu queria e precisava de ser”, disse ainda.
Por isso mesmo, a atriz acha fundamental que as jovens que passam pelo mesmo não se sintam envergonhadas pelas suas opções. Para isso, é importante mudar a lei. “A lei de aborto do Texas entrou em vigor sem discussão pelo Supremo Tribunal Federal, o qual, devido em grande parte à sua falta de diversidade ideológica, é um palco para uma crise de direitos humanos para as mulheres americanas”, afirmou. Thurman concluiu: “A todos vocês – às mulheres e meninas do Texas, com medo de serem traumatizadas e perseguidas por caçadores de recompensas predatórios; a todas as mulheres indignadas por terem os direitos dos nossos corpos tomados pelo Estado; e a todas vocês que estão vulneráveis e sujeitos à vergonha porque têm um útero – eu digo: eu vejo-te. Tem coragem. És linda. Lembras-me as minhas filhas. “
A atriz é agora mãe de três filhos, as filhas Maya, 23, e Luna, 9, e o filho Levon Roan, 19.
A lei que entrou em vigor no Texas a 1 de setembro é a lei de aborto mais restritiva do país: proíbe o aborto após seis semanas de gravidez, ou seja, apenas permite num período em que a maioria das mulheres não sabe que está grávida. O projeto não permite exceções para gravidezes resultantes de incesto ou violação.