
Rodeada de colegas e amigos, Inês Sá Frias, de 27 anos, apresentou Nem a Gente Janta, uma série inspirada na sua vida que já está disponível na RTP Play. “É um projeto bastante autobiográfico, mas com muito espaço para a ficção. É uma homenagem ao meu pai, Fernando, que morreu quando eu tinha 14 anos, e ao meu avô Filipe, que sofreu de demência depois da morte do filho. A série centra-se nisto, mas também aborda o drama da habitação em Lisboa, das pessoas que são despejadas e da dificuldade em arranjarem casas ou quartos com preços acessíveis, e pelo qual passei quando vim morar para cá”, explicou a atriz, que escreveu, protagonizou e realizou esta série.
Ao criar este objeto artístico, a atriz passou por uma espécie de catarse, dando à arte um papel essencial no seu caminho de autodescoberta e cura. “Foi um processo muito difícil, mas que acabou por ser muito fluido. É natural escrevermos sobre nós, as nossas vivências, as pessoas que nos rodeiam e que cresceram connosco. A arte cura, esta série foi mesmo terapêutica. A arte também tem esse lado. Há muito que passámos a fase da bonequice na ficção. Temos de levar para a arte tudo aquilo que somos, o bom e o mau da vida. Temos de criar com aquilo que realmente nos move”, partilhou a atriz durante esta apresentação, que decorreu no espaço The House of Hopes & Dreams, em Lisboa.