
Esta semana é a última do julgamento que opõe Johnny Depp a Amber Heard, num caso levantado pelo ator, que acusa a ex-mulher de difamação. Na próxima sexta-feira, dia 27, serão ouvidas as alegações finais no tribunal de Fairfaz, estado norte-americano da Virgínia.
Os advogados de Johnny Depp começaram a chamar novas testemunhas a depor esta terça-feira, dia 24. Walter Hamada, produtor e executivo ligado aos filmes da DC Comics na Warner Bros Pictures falou sobre o contrato de Heard para os filmes “Aquaman” e referiu que este não foi negociado por causa das acusações de Depp, contrariando o testemunho de Kathryn Arnold. O executivo nega que o papel de atriz na sequela do filme tenha sido reduzido e garante que a nova película tinha sido pensada para se focar nas personagens de Jason Momoa e Patrick Wilson. Acrescentou que sempre houve preocupação sobre se Amber Heard era a pessoa certa par ao papel de Mera e alega que se falou na possibilidade de ser substituída por ter falta de química com Momoa, que interpreta o protagonista da trama. Alega que foram necessários trabalhos de edição para “fabricar” a química entre as duas personagens no primeiro filme.
A testemunha seguinte foi David A. Kulber, o cirurgião plástico que operou a mão de Depp no dia 20 de março de 2015 no Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles. “Tinha uma fratura no dedo e perda de tecido, por isso reconstrui o dedo”, afirmou, acrescentando que Depp não conseguia mexer dois dedos: “Ele podia tentar agarrar algué, mas duvido que o conseguisse fazer”. Alega também que, se tivesse agredido alguém com aquela mão, teria fraturado o gesso, algo que o próprio diz não ter registado.
Seguiu-se Richard Marks, advogado de entretenimento e especialista em Hollywood que já tinha testemunhado dia 2. Alega que as declarações anteriores de Kathryn Arnold foram especulativas e alega que não se pode comparar o papel de Jason Momoa em “Aquaman” ao de Amber Heard. “Ele é o protagonista”, recorda.
Douglas Bania, analista de redes sociais e de propriedade intelectual é chamado pelos advogados de Depp. Contraria o testemunho do analista Ron Schnell que alegou que declarações feitas em 2020 por Adam Waldman contra a atriz provocaram aumento de hashtags negativas nas redes sociais contra Amber, a prejudicando-lhe atualmente a carreira. Bania apresenta dados e gráficos que mostram que não existe correlação entre os dois pontos. Alega que as publicações feitas no Twitter pelos utilizadores não afetaram diretamente a carreira de Amber Heard. Mostra que a utilização dos hashtags negativos aumentou significativamente em abril de 2022, quando o julgamento começou, e que não têm ligação direta às declarações de Waldman, que aconteceram entre abril e junho de 2020. Apresenta dados que mostram que as hashtags negativas foram usadas mais vezes em fevereiro de 2020, antes das declarações de Waldman, e depois em julho de 2020 e novembro de 2020, altura em que foi anunciado que Amber iria continuar na franquia “Aquaman”.
A testemunha seguinte foi Morgan Night, dono do complexo Hicksville Trailer Palace, onde o ex-casal passou umas férias em junho de 2013. Segundo Heard, local onde Depp lhe fez uma “busca nas cavidades” por drogas após a ter acusado de namoriscar com uma mulher. Nigh conta que alugaram uma casa para 10 a 12 pessoas e afirma que não ouviu o ator a gritar com a ex-mulher, mas que assistiu sim ao contrário, relatando que a atriz chamou “cobarde” ao ex-marido num momento de exaltação. “No início da noite ele estava mais extrovertido, mas com o decorrer da noite ele ficou mais sossegado”, relata, continuando: “Ela começou a gritar e eu não queria ouvir aquilo. Sinceramente, incomodou-me”. Nigh conta que Depp parecia ébrio e “menos aguçado” e que na manhã seguinte reportou danos na casa que tinha alugado. O proprietário foi ver e alega que os danos podiam ser consertados com o pagamento de um momento de baixo valor. No contra-interrogatório, foi questionado pelo advogado de Amber se Deep tinha tido um comportamente ciumento nessa noite. Night responde que estave muito tempo com o casal e que nada verificou, referindo que a atriz “estava com um comportamento louco e invejoso”.
Seguiu-se Richard Shaw, médico que alega que o psiquiatra David Spiegel, testemunha de Amber Heard, cometeu violações éticas no dia anterior de julgamento. Diz que este quebrou a Regra de Goldwater, do protocolo dos psicólogos dos EUA, que diz que especialistas deste ramos não devem fornecer opiniões pessoais sobre figuras públicas sem as terem examinado pessoalmente ou obtido consentimento para discutir a sua saúde mental em público.
A última testemunha da parte de Johnny Depp neste dia foi Jennifer Howell, antiga amiga da irmã de Amber Heard, Whitney Henriquez. Diz que nem Henriquez nem a irmã alguma vez lhe disseram que o ator tinha um comportamento agressivo. Negando ter algum sentido de lealdade para com Depp, afirma: “Amei alguém que sei que está a fazer algo muito errado. E sabia que ia fazer isso, pois está a tentar proteger a irmã. Estou a tentar protegê-la. A tentar fazer com que acorde e faça o que é certo, que é contar a verdade”.