
Aos 38 anos, Mariana Seara Cardoso enfrenta um dos maiores desafios da sua vida. Diagnosticada no início do ano com a doença de Graves, uma doença autoimune que afeta a tiroide, a influenciadora digital tem lidado diariamente com as suas fragilidades. Contudo, o tratamento que está a fazer e a força e o apoio que recebe do marido, o arquiteto Domingos Domingues, de 39 anos, e dos filhos, Matilde e Tomás, de oito anos, Francisca e Maria do Carmo, que fazem sete anos dia 13 de agosto, e Xavier, de dois, são as suas boias nestes mergulhos em águas que vieram agitar toda a sua vida.
Foi durante as férias de verão, passadas no Algarve, que Mariana conversou com a CARAS sobre o momento que vive, uma partilha que tem como propósito alertar outras mulheres para a importância de não ignorarem os sinais que o corpo dá.
– Como descreveria estes dias passados no Algarve?
Mariana Seara Cardoso – São dias passados em família. Viemos nós e os meus pais. A minha irmã, Francisca, este ano não vem, porque se casou há dias. É uma semana sempre especial.
– É uma semana em que abdica das rotinas e horários?
– Nas férias não há rotinas nem horários. Há dias em que saímos da praia às oito e meia, porque apanhamos um final de tarde maravilhoso. Nesses dias jantamos mais tarde. O importante é sentirmos que os nossos filhos estão felizes. Além disso, nas férias não pode haver a mesma rotina que há durante o ano, para perceberem que são férias e é um tempo de exceção. No dia a dia sou mesmo muito rígida com os horários. Às oito estão na cama!
– Consegue descansar nestas férias em família?
– Bom, são cinco filhos, mas já temos a logística bem oleada e conseguimos descansar. Claro que quando fazemos férias em hotéis com tudo incluído descansamos mais, porque não precisamos de nos preocupar com o que os miúdos vão comer, por exemplo. Estas não são as férias em que estamos, como se costuma dizer, “de papo para o ar”, seria impossível. Contudo, são dias maravilhosos também, porque estamos em família.
– Este ano será ainda mais importante sentir-se rodeada de tanto amor, uma vez que está a atravessar uma fase mais delicada no que diz respeito à sua saúde. Como é que descobriu que tinha a doença de Graves?
– Em setembro, passei um período sozinha com os miúdos, momento durante o qual tive de preparar o regresso às aulas e o primeiro ano de escola das gémeas. O meu marido estava a entregar um projeto grande e a pessoa que me ajuda com os miúdos estava de férias. Nessa altura tive um pico de stress, esse grande inimigo da nossa saúde que espoleta várias doenças. No final desse mês, reparei que tinha emagrecido, mas pensei que era normal, uma vez que tinha passado um mês sozinha com os miúdos, a alimentar-me pessimamente e a dormir pouco. Também tinha mais sintomas, mas ignorei-os por completo. Um deles era estar muito acelerada, mas, como tenho cinco filhos e tenho energia para tudo, achei que seria normal.
– Portanto, eram sintomas que poderiam perfeitamente passar despercebidos a quem tem uma vida agitada.
– Sim. Também comecei a ter taquicardia, o meu coração estava muito acelerado e com palpitações, e esse foi o sintoma com mais consequências. Quando percebemos o problema, esta parte cardíaca já estava muito avançada e era preocupante. O médico disse-me que o coração não aguentava segunda vez assim. Além disso, tive um ataque de pânico e também desvalorizei. Tinha imenso calor, as mãos tremiam, mas achava que era tudo fruto do cansaço. Aprendi que não podemos ignorar o nosso corpo. Ele não brinca e dá-nos os sinais todos.
– Então, o que a levou a procurar uma opinião médica?
– No final de novembro os meus olhos começaram a inchar e percebi que deveria ter alguma coisa. As olheiras não se atenuavam com cremes. Fui fazer umas análises muito completas e a tiroide veio completamente desregulada, com um hipertiroidismo muito acentuado, o que explicava os sintomas. Marquei logo uma consulta com um endocrinologista, que me iria reencaminhar para outra médica, porque achava que tinha a doença de Graves.
– Tudo isso assusta.
– Sim, claro. Entretanto, fui de férias em dezembro e em janeiro fui a uma consulta com essa médica, que me disse logo: “Mariana, você está com uma coisa grave. Tem dois caminhos e tem de escolher um deles ontem, porque, no limite, pode ficar cega.” Fui para casa, chorei e senti-me completamente perdida. Falei com a minha mãe, que também é médica, com outros amigos que são médicos e com os especialistas que me estavam a acompanhar. Decidi ir a Espanha falar com um médico que é especialista nesta doença. Fui a uma consulta e escolhi o meu caminho.
– Qual foi esse caminho?
– Escolhi o caminho mais curto e rápido para recuperar. Também é o mais efetivo. O outro melhora a doença mas não cura, e eu quero ficar curada. Estou a fazer uma terapia biológica e está a correr bem. Os papos dos meus olhos já se notam muito pouco. O meu maior medo era ficar doente, mas, fora isso, tudo isto mexe muito com a nossa autoestima. Sou muito aliciada para fazer tratamentos estéticos no rosto e nunca aceitei. O médico disse-me que se tivesse ido por esse caminho teria sido muito pior. Teria sido fácil ir por aí, porque não me sentia bem com a minha imagem, mas ainda bem que não o fiz. O que estou a fazer é uma terapia menos invasiva do que os corticoides e que atua na inflamação do corpo. O efeito secundário que me tem afetado mais é o cansaço que sinto no dia do tratamento. O desporto também me tem ajudado a contrariar este cansaço e a desinflamar. Tenho praticado o jejum intermitente e sinto-me bem.
– Como é que geriram tudo isto em família?
– O Domingos tem sido o meu pilar. Se não fosse ele, não sei como poderia ter sido. Tudo isto envolve as hormonas, e tive picos que me deixaram péssima. Ele estava a preparar-se para a competição do Iron Man e não queria que a minha doença impedisse este projeto. O Domingos competiu e foi inacreditável os nossos filhos verem o pai a superar-se. Foi um exemplo incrível.
– Os seus filhos souberam o que se estava a passar consigo?
– Sim, sabiam, porque viam os meus olhos. A seguir ao primeiro tratamento, fui-me abaixo e eles estiveram sempre ao meu lado a dar-me miminhos, o que me deu uma força enorme para continuar. Os mimos dos meus filhos dão-me força e energia para acreditar na cura.
– Decidiu falar publicamente sobre a sua doença. Porquê?
– Para alertar para a importância de não ignorarmos os sinais que o corpo nos dá. Somos mães e andamos sempre a mil, mas temos de escutar o nosso corpo. Quis falar sobre isto para não ser tarde demais para nenhuma mulher. Eu tenho uma alimentação saudável, faço desporto, mas tive um pico de stress e tudo mudou. Agora não me permito stressar tanto, tornei-me mais descontraída. A minha prioridade é acompanhar os meus filhos. Não quero falhar como mãe, mas tenho de descontrair mais, sobretudo com as coisas da escola. Tem sido o meu maior desafio enquanto mãe.
Agradecemos a colaboração de: Cantê, Dck, Latitid e Suuim
Esta entrevista faz parte da edição nº1409 da revista Caras, disponível na loja.trustinnews.pt