Foi a primeira vez que o realizador João Canijo, de 65 anos, se apresentou a concurso num dos três principais festivais de cinema europeus. Ganhar o segundo prémio mais importante do Festival de Berlim, com o filme Mal Viver (que integra um díptico juntamente com o título Viver Mal, que passou noutra secção da Berlinale, fora da competição), foi uma surpresa que não conseguiu disfarçar quando subiu ao palco para receber o Urso de Prata e agradecer à equipa, com destaque para a diretora de fotografia, Leonor Teles (que o certame premiou em 2016 pela curta Balada de Um Batráquio), a quem chamou “a minha alma gémea e companheira artística”, e ao elenco composto por mulheres, “as minhas atrizes fabulosas, que me confiaram tudo”. Referia-se a Anabela Moreira, Rita Blanco, Madalena Almeida, Cleia Almeida, atrizes principais do filme, e também a Filipa Areosa, Leonor Silveira, Lia Carvalho, Beatriz Batarda e Carolina Amaral, que se juntam a Nuno Lopes neste elenco de luxo.
Em Mal Viver fala-se de conflitos entre mães e filhas, de famílias disfuncionais, da complexidade das relações. A rodagem decorreu num hotel em Ofir, durante a pandemia, onde o elenco se manteve confinado. “Acho que nunca tinha visto o João tão emocionado quando acabámos um filme como neste caso”, recordou Anabela Moreira numa entrevista que deu à RTP logo no dia do prémio, descrevendo o trabalho do realizador com quem já trabalhou diversas vezes, nomeadamente em Fátima ou Sangue do Meu Sangue, como sendo “único” e com “uma identidade muito própria”.