
Autor de 18 livros, vencedor dos prémios literários José Saramago e Fernando Namora e coargumentista da tão aclamada série Rabo de Peixe, João Tordo, de 47 anos, é um nome incontornável da literatura portuguesa. A prová-lo estão as filas que se formam sempre que o autor marca presença na Feira do Livro, onde apresentou Uma Valsa com a Morte. Um livro que ganhou corpo em dezembro do ano passado, após a morte da sua avó materna: “O tema deste livro só apareceu com a morte da nossa avó. Enquanto escrevi o Manual de Sobrevivência de Um Escritor, escrevi também uma série de textos avulsos sobre música, espiritualidade, religião, livros, eu próprio, e tinha essa série de textos não publicados, mas não tinha um tema, e de repente, com essa morte, percebi que o tema era esse, já que era um assunto que passava por todos os ensaios.”
“O sucesso da série ‘Rabo de Peixe’, que escrevemos em 2021, foi uma surpresa incrível. Espero que nos peçam a segunda temporada.”
O autor, que publicou o primeiro livro há 15 anos, considera que a sua versatilidade tem contribuído para o sucesso: “Para mim, a escrita tem um lado compulsivo e quase obsessivo, mas é também uma forma de ir encontrando maneiras diferentes de me aproximar dos leitores. Às vezes é através de um romance, outras de um policial ou de num ensaio, e isso também cria uma variedade que faz com que eu não me canse da escrita e os leitores também não se cansem de me ler. Acho que a variedade da minha escrita ajuda nesta relação.”

O momento da escrita acaba por ser volátil, dependendo da liberdade de tempo que tenha, como explica: “Há anos em que escrevo de forma aleatória e mais dispersa. Há outros em que me organizo mais, mas escrevo sempre de manhã, paro para almoçar e da parte da tarde revejo ou reescrevo o que fiz anteriormente. Tenho uma rotina forte quando estou no processo efetivo de escrita, porque nos restantes meses acabo por viajar muito para promover os livros.”
Solteiro e sem filhos, João, filho do músico Fernando Tordo, acredita que o amor que tem pela sua profissão lhe “rouba” disponibilidade para a vida afetiva, como nos assumiu: “A minha profissão é muito consumidora de tempo e de espaço. Para fazer o que faço, preciso de muito mais tempo sozinho do que um cidadão que tenha outra profissão, e isso, às vezes, acaba por limitar as minhas possibilidades. Mas também sei que isso é, obviamente, uma desculpa minha, porque se eu quisesse casar tinha-me casado. Mas escolhi a profissão e não sei se agora já não vai tarde [risos]. Sou muito feliz com a vida que tenho e não sinto falta de nada.”
“Está a ser um ano espetacular e especial, e isso também se nota pelas minhas olheiras [risos].”
Uma dedicação que tem dado frutos: “Está a ser um ano espetacular e especial, e isso também se nota pelas minhas olheiras [risos]. Tenho tido muitas viagens, muitos encontros com os leitores dos livros e o sucesso de Rabo de Peixe foi uma surpresa incrível. Escrevemos a série no início de 2021 e não estávamos à espera deste nível de sucesso. Espero que nos peçam a segunda temporada, porque estamos loucos para pôr mãos à obra. De repente ver um texto, uma história que escreveste, chegar a dezenas de países é uma loucura.”