Uma vida cheia de aventuras e desventuras, que começam em África e continuam pela Costa do Sol, em Portugal, e à volta da Europa, levou Manuel Arouca a escrever um livro de memórias sem filtros. De Playboy a Peregrino é o relato do percurso, nunca feito em linha reta, de um jovem de famílias tradicionais, inadaptado, rebelde, quase jogador de futebol, jurista, mas apaixonado pelas palavras, o que o levou a escrever Os Filhos da Costa do Sol e depois muitas das novelas que fizeram sucesso na TVI.
Numa fase em que o desânimo o atormentou, Manuel foi desafiado pelos três filhos, Diana, Domingos e Carminho, a contar a sua história a todos, na qual não faltam figuras públicas e personalidades que serão reconhecidas de imediato por quem ler a obra. “Estive um ano a escrever e foi realmente uma experiência fantástica, até uma terapia para mim. De facto, a vida tem uma razão de causa/efeito. O livro surgiu numa altura de grande combate. Estava em baixo, a vida corria muito mal financeiramente, os salários não estavam a ser conseguidos e comecei a questionar-me por que tinha de passar por esta situação mais uma vez. Voltar à escrita ajudou-me muito”, revelou. O autor adianta que há boas surpresas neste seu percurso contado através da escrita. “Quem o ler vai ter muitas aventuras e algumas até são picantes. Se há coisa que não sou é morno. Se me ponho a fazer uma coisa, vou ao fundo. Já que tinha aceitado escrever as minhas memórias, fui ao fundo delas. Se calhar, há uma ou outra situação de que algumas pessoas podem não gostar, mas tinha de escrever o que vi e passei. Há situações em que a realidade ultrapassa a ficção e foi o que me aconteceu ao longo da vida.”
O lançamento aconteceu no Clube de Ténis do Estoril e contou com a presença de familiares e muitos amigos, desde os que vêm dos tempos da adolescência até aos atores que pautaram parte da sua vida adulta. Coube a Luísa Beltrão, Luís Norton de Matos e António Pedro Cerdeira fazerem a apresentação, emocionando o autor. “Conhecemo-nos aos 16 anos, no Colégio Luís Bernardes, e ele era um grande jogador, um bocadinho a estrela da companhia. Comecei a jogar muito por causa do Manel. Quando fui para o Estoril Praia, o Manel já lá jogava, era uma vedeta, e disse-me ‘a minha casa é tua’ . Partilhei a família do Manel, os irmãos, a mãe fantástica, inesquecível. Tive logo um ambiente de família. Vivemos a mesma coisa com atraso e com avanço. Temos grandes memórias e uma maior amizade”, recordou o antigo jogador Luís Norton de Matos, que afirmou ainda que este livro “é um ato de enorme coragem”, em que Manuel se expõe de “forma aberta a todas as suas memórias emocionais.”
Já Cerdeira relembrou a importância de Arouca para a ficção nacional. “Tive o prazer e a honra de trabalhar com ele. Todos nós, atores, fazemos imensas personagens ao longo da vida. Algumas ficam e marcam-nos para sempre, como o meu gago em Primeiro Amor. O Manel escreve personagens densas, complexas, pessoas reais, vividas, que dão muito prazer a qualquer ator interpretar. Não tem sido devidamente apreciado, mas é um grande escritor e, sobretudo, um grande homem”, declarou.
Fotos: José Oliveira