
Vítor Silva Costa nasceu e cresceu no Porto há 31 anos e mudou-se para Lisboa há mais de uma década, para continuar a “dar asas” ao seu sonho de ser ator. Com o curso da Academia Contemporânea do Espetáculo e frequência da Escola Superior de Teatro e Cinema, é presença assídua em televisão e teatro. Neste momento está na novela Senhora do Mar e no Teatro Aberto, em Lisboa, até 28 de abril, na peça de David Mamet Uma Vida no Teatro, que marca a estreia da atriz Cleia Almeida na encenação. Neste espetáculo sobre dois atores de gerações diferentes, que tanto estabelecem uma relação de camaradagem como de competição dentro e fora de cena, num jogo de espelhos em que ambos se reveem, divide o palco com Alfredo Brito, de 61 anos.
Apesar da exposição que a profissão lhe traz, Vítor afirma que a discrição é a sua melhor arma e prefere guardar apenas para si o que lhe é mais precioso.
– Como é para um ator interpretar outro ator?
Vítor Silva Costa – É muito difícil e delicado, mas comum, na verdade. Nós, atores, estamos sempre neste jogo, estamos fora, estamos dentro. Nesta peça é o teatro dentro do teatro, uma coisa muito shakespeariana.
– Sai do teatro a pensar na diferença de gerações, em que o mais velho pode ser o espelho do mais novo?
– Temos este cliché, e que é real, de que o tempo passa muito depressa. Tenho 31 anos e sinto que comecei a trabalhar ontem e que tudo é muito efémero. Estou muito no presente, mas mais no futuro, numa ânsia de fazer e de querer que se torna cansativa. Já me aconteceu muitas vezes ver o final da personagem do Alfredo e projetar isso para mim daqui a 30 anos.
– Acha que pode chegar a um ponto da carreira em que, de certa forma, é passado para trás?
– É a ordem natural das coisas. Claro que nós temos o privilégio de podermos trabalhar até morrermos. Podemos estar uma vida toda a fazer o que gostamos, o que é maravilhoso. No entanto, também é delicado e assustador, pois há o inevitável avançar do tempo. Quem vir a peça vai sentir-se identificado, porque o passar do tempo toca a todos.

– Tem conjugado teatro com novela. Como tem conseguido desdobrar-se em dois projetos tão exigentes?
– É uma rebaldaria, mas lá está, é o amor que temos pelo que fazemos. Tenho um ritmo frenético, mas sinto-me bem. O objetivo é sempre o mesmo: contar bem uma história. Mas o palco é onde me sinto mais confortável.
– É a total entrega ao ofício que escolheu?
– Sim. Faço o que faço com total dignidade e entrega. Não podia ser de outra forma. Se calhar, quando for mais velho, vou-me esquecer do texto, porque foram muitos anos a dormir pouco, mas para já aproveito a juventude e energia que tenho.
– Tem como objetivo apostar numa carreira internacional?
– Claro que sim. A globalização joga a nosso favor. Não vivo ansioso por fazer projetos internacionais, porque acho que um ator que trabalha bem fá-lo aqui ou noutro lado qualquer, não é melhor nem pior por isso, mas, enquanto experiência, gostaria de ter essa possibilidade, conhecer outras formas de trabalho. Acima de tudo, quero trabalhar no que acredito.
– Depois de vários anos a viver em Lisboa, onde fica o Porto?
– No meu coração. Sou um homem do Porto e com muito orgulho. Gosto muito da minha cidade e volto lá sempre que posso, até porque tenho lá a minha família. Nestes últimos tempos não tenho ido, porque é impossível, mas no final no ano vou lá estar com um espetáculo de teatro. Vou voltar ao Teatro do Bolhão, com malta que foi da minha escola.
– Inevitavelmente, a vida privada fica exposta na sua profissão, mas parece querer mantê-la o mais reservada possível.
– Embora seja ator, sou muito discreto e continuo a tentar manter a minha vida privada. Claro que, com a exposição pública que tenho, há naturalmente um maior interesse, mas fui sempre gerindo da melhor maneira, da forma que é mais confortável e segura para mim e para os meus. Continuo a acreditar que a vida privada deve ficar privada.
– Mesmo namorando com a atriz Bárbara Branco, que também é uma figura pública?
– Independentemente de com quem estou ou deixo de estar quero manter a minha vida privada e não abrir precedentes.
– Ainda há pouco tempo esteve no mesmo evento que a Bárbara, mas distantes. Não seria mais fácil mostrarem-se juntos, uma vez que as notícias que saíram foi a de que poderiam estar separados?
– A questão é que nem eu, nem a Bárbara, nem qualquer pessoa que esteja ligada a nós falou sobre isso. Essas notícias são uma suposição e mantenho o mesmo princípio de não falar.

– Prefere deixar a dúvida no ar?
– Não tem a ver com deixar no ar, tem a ver com, e falo só por mim, se não digo uma coisa, depois não vou desmentir o que sai, pois aí estou a dar importância. Vou manter sempre a minha posição. Percebo a pergunta, pois poderia ser mais fácil clarificar, mas mantenho aquilo em que acredito.
– E se perguntar diretamente se está com Bárbara Branco, não responde?
– Não, porque é a minha vida privada.
“A minha posição é sempre a de não abrir as portas, para me proteger.”
– Como é que consegue manter esta coerência?
– Não é fácil, mas o que acontece é que não me preocupo, independentemente de estar ou não numa relação, com o que podem ver ou dizer. Quando sou confrontado, porque é o trabalho do jornalista fazê-lo, a minha posição é sempre a mesma, a de não abrir as portas, para me proteger a mim e, sobretudo, às pessoas à minha volta.
– Mas está numa boa fase a todos os níveis?
– Sim, estou ótimo! Estou com muito trabalho, mas gosto de trabalhar, isso deixa-me muito feliz. À minha volta está tudo luminoso.