
Desde miúdo que Nelson Antunes tem uma ligação intrínseca à música. Começou a cantar cedo e o primeiro contacto com a televisão surgiu no programa da SIC Família Superstar, onde participou ao lado do padrinho, em 2007, e que lhe abriu as portas para o projeto que lhe deu visibilidade pouco depois: Rebelde Way, na qual deu vida a Manuel.
Quinze anos passados, e num momento em que aquela produção juvenil é reposta na plataforma Opto, Nelson é um homem realizado que sempre foi à procura dos seus sonhos e os concretizou. Mudou de vida e, atualmente, vive em Espanha e é skipper numa empresa turística em Gibraltar. No entanto, a música continua a ser a peça que liga o puzzle das várias vertentes da sua vida: marinheiro e pai de um rapaz, Afonso, de 5 anos. “Felizmente nunca deixei de estar ligado à música. Sempre que vinha do mar, trazia muitas ideias e chegava a Portugal e ia para estúdio gravar o que tinha escrito. Permitiu-me, ao longo destes anos, desenvolver um álbum, Karma, que está praticamente pronto”, confidencia.
– Passaram mais de 15 anos desde que fez a Rebelde Way. As memórias são boas?
Nelson Antunes – São maravilhosas, de concretização de sonhos. Saí da Família Superstar com 18 anos e concretizei todos os sonhos aos quais me propus, pois logo a seguir a essa experiência entrei na Rebelde Way, a primeira novela juvenil da SIC. Foi fantástico, porque não era ator nem tinha formação, só me sentia bem em palco e em estúdio.
– A música nunca deixou de fazer parte da sua vida…
– Fui estudar para o Westminster College, em Inglaterra, onde tinha família. Estudei, trabalhei e aí comecei a apostar no canto e na formação. Assim que regressei, em 2013, após a pausa da Rebelde Way, trabalhei com o Agir, que compôs um single para mim. Decidi começar a escrever a partir dessa altura, tinha coisas para dizer. De cada vez que interpretava, era como se estivesse a contar uma história que não era minha. Percebi que essa troca teria de ser mais justa e comecei a escrever enquanto apostava na minha profissão. Tenho duas grandes paixões: a música e o mar. Também me apaixonei pela representação, porque me vi a fazer aquilo para sempre. Mas decidi apostar na minha profissão.
“Foi precisamente através da paixão pelo mar que me tornei marinheiro.”
– De onde vem essa paixão pelo mar?
– Cresci na Trafaria. Quando era criança, jogava à apanhada dentro de água. Tive uma infância ideal: andava descalço na rua, era superindependente… Foi precisamente através dessa paixão pelo mar que me tornei marinheiro. Sempre tive uma grande vontade de viajar e cresci a olhar para os grandes navios do outro lado do rio, em Carcavelos.
– De que forma é que esta série moldou a sua personalidade?
– Ajudou a que me sentisse realizado desde muito novo, permitiu-me mostrar ao público o que faço. As músicas que cantei em personagem marcaram uma geração. Na altura mudou a minha vida por completo, às vezes era complicado andar na rua, principalmente quando a banda RBL, que se formou na série, se juntou.
– Foi difícil lidar com essa fama abrupta?
– Nessa fase em específico, sim. Era assustador, com 20, 21 anos, ir às compras e ter necessidade de ser escoltado pela polícia. Por exemplo, quando terminei as gravações, cheguei a acompanhar um projeto do Ministério da Educação em que andava de escola em escola a substituir computadores e retroprojetores, mas teve de ser cancelado por causa disso. Aí percebi o impacto que tinha, porque as escolas paravam e as crianças faltavam às aulas para nos ver.

– A reposição da Rebelde Way era a alavanca que lhe faltava para o seu novo álbum ver a luz do dia?
– Talvez. Espero poder apresentar o álbum Karma ainda este ano num sítio físico, para saber o que as pessoas acham.
– Está feliz com o rumo que deu à sua vida?
– Sou um felizardo e estou muito grato ao universo. Agora ainda me sinto mais realizado, porque decidi vir para mais perto para poder terminar o álbum e estar mais perto do meu filho. Tenho visto o Afonso crescer pelo WhatsApp.
– Acredito que não deve ser fácil fazer essa gestão.
– É um processo. Decidi que enquanto ele era novinho fazia mais sentido apostar na minha carreira e construir esse currículo para depois, quando tivesse 5, 6 anos, estivesse no topo da minha carreira. Agora já deixei o alto-mar e trabalho apenas numa empresa marítimo-turística onde já não sou só marinheiro, mas também skipper. Estou a apenas quatro horas dele, é diferente do que passar três meses em alto mar.