
Estudo, rigor e profissionalismo são as suas palavras de ordem. Uma disciplina que Bárbara Branco desenvolveu enquanto estudava teatro com o malogrado mestre Carlos Avilez e que, desde cedo, a destacou como uma das melhores alunas do seu curso. Com apenas 25 anos, a atriz é considerada uma das mais promissoras da sua geração. Mas até que ponto a descoberta e construção das personagens lhe rouba a alegria e leveza durante cada processo de trabalho? É este equilíbrio que a artista tem vivido em busca nos últimos tempos e procurado colocar em prática, agora, nas gravações de A Herança, a nova trama da SIC.
– A televisão e o teatro são amores muito diferentes. Consegue eleger algum?
Bárbara Branco – É uma escolha muito difícil. Mas acho que o teatro é sempre a minha base. Se até ao final da minha vida só pudesse fazer uma coisa (nessa escolha difícil que seria), optaria pelo teatro, porque é a minha “casa”, onde comecei a minha formação e terá sempre um lugar muito especial no meu coração. Mas gosto de complementar-me com outras coisas, porque sinto que vou sempre buscar boas ferramentas em todos os projetos que faço.
– E o que mais a encanta na televisão?
– É um ginásio brutal em vários sentidos para os atores. Por dia, temos de gravar entre 20 a 30 cenas. Muitas vezes, num só dia, o nosso espectro de emoções vai de uma ponta à outra. Ora estamos a chorar a morte de alguém ora estamos a casar-nos, tudo no mesmo dia. Para o corpo é muito violento e difícil. Mas eu gosto de fazer isso!
– É muito focada e determinada no seu trabalho. Como é a Bárbara no dia a dia, longe das câmaras e do palcos?
– Sou muito rigorosa a estudar e no que faço. Gosto de preparar-me o melhor possível, chegar a horas… Tenho esse rigor e disciplina. Mas no meu dia a dia, nas minhas rotinas, não tenho problema nenhum em ser mais relaxada e descontraída. Acho que sou um equilíbrio das duas coisas.

– É uma jovem atriz elogiada pelo público e pelos seus pares, considerada uma das melhores da sua geração e já com vários prémios conquistados, entre eles um Globo de Ouro de Melhor Atriz de Teatro. Isso dá-lhe uma pressão acrescida na hora de iniciar um novo trabalho?
– Já deu um bocadinho, agora acho que não. Para mim, essas coisas não são garantidas nem estanques. Ter recebido um prémio em teatro foi muito importante para mim naquela altura, mas sei que o meu trabalho não acaba ali e que tenho de continuar a dar provas de que mereço todas as oportunidades. O meu trabalho não está feito quando recebo um prémio ou um elogio. Tenho noção de que tenho de continuar a dar o meu melhor e a lutar pelos meus objetivos. Tenho aprendido a relaxar, a “curtir” a viagem de cada projeto e a estar mais leve nas coisas.
– Mantendo o foco, mas sem pressões?
– Sim. Sempre fui muito dedicada e disciplinada. Estou numa fase da vida em que apetece-me estar mais tranquila e aproveitar todas as oportunidades que me chegam de outra forma. Conseguir divertir-me e desfrutar tem sido a minha caminhada nos últimos tempos. E sinto que tenho conseguido fazê-lo. Dá-me realmente muito gosto fazer o que faço. Sempre deu! E se puder conjugar o gosto pelo que faço com diversão e leveza, melhor ainda. É um coquetel infalível!

– Vai conciliar as gravações da novela da SIC com a reposição de dois espetáculos. Gosta de dividir-se entre projetos?
– Sim. Primeiro o Quis Saber Quem Sou, em abril, e depois o Crocodile Club, em maio. Vai ser tranquilo. Os espetáculos já estão ensaiados, é só voltar a “aquecer” e colocá-los em cena. Não será uma pressão acrescida, estes espetáculos dão-me muita alegria.