
É um marco da cultura portuguesa. No dia 7 recebeu uma nova distinção e no dia 11 brindou a mais um aniversário. Cheia de “vontade de viver”, Simone de Oliveira continua a ser uma inspiração para diferentes gerações.
– Está a viver há mais de um ano na Casa do Artista. Foi-lhe difícil deixar a sua casa?
Simone de Oliveira – Estou muitíssimo bem instalada. Os meus filhos fizeram-me um quarto maravilhoso com algumas coisas que tinha em minha casa, fotografias que estavam no meu quarto, livros e recordações. A Casa do Artista é um sítio onde nos tratam muito bem e somos todos iguais: uns cantaram, outros representaram, outros tocaram saxofone. Não foi difícil. Vivi 27 anos sozinha depois do Varela [Silva] morrer. Conversei com os meus filhos e concordei com eles. Não houve dramas nem tragédias. Tive alguma saudade da minha casa durante mais ou menos um mês. Agora estou com amigos. O Nuno Nazareth Fernandes tem um quarto em frente ao meu.
– Um amigo antigo que é o autor da música Desfolhada Portuguesa, de 1969. Conver-sam sobre esse tempo?
– Por vezes. Conversamos mais sobre temas atuais. Por exemplo, do Trump, que quer ficar com o Canadá ou com a Gronelândia. Depois, se calhar, vai querer comprar a Amadora, Telheiras, o Campo Grande.

– Mantém-se a par do que se passa no mundo?
– Sim. Tenho um bocadinho de medo do que vejo, especialmente da China, do Putin e do Trump. Mais Israel e o Hamas. E tenho medo dos loucos que aparecem ocasionalmente.
– A morte assusta-a?
– Não sei o que está no outro lado.
– Celebrou 87 anos. Gosta de assinalar a idade?
– Gosto de fazer anos, não me importo nada com os cabelos brancos e com a rugas. Gosto de ser o que sou e como sou. Adoro viver e sou uma mulher feliz.

– Os prémios ainda são importantes?
– São uma expressão de carinho e têm sempre importância. Tenho de agradecer aos poetas, músicos, jornalistas, fotógrafos e à gente do meu país.
Fotos: José Oliveira e Prémio Cinco Estrelas