
Dono de uma personalidade e opiniões vincadas, tem no amor e na família o seu ponto frágil. Procurando por momentos conter a emoção, que rapidamente disfarça com um sorriso, Cláudio Ramos fala em exclusivo à CARAS sobre a fase feliz que vive. Despe-se do papel de apresentador e é apenas um alentejano que planeia regressar por inteiro às suas raízes nos próximos anos. A principal cara dos maiores programas de entretenimento da atualidade na TVI está pronta para abrandar o ritmo profissional e viver uma nova paixão. Mas não ainda para ser avô.
– Em alturas de bastante trabalho, consegue arranjar tempo para si?
Cláudio Ramos – Sou muito disciplinado. É preciso fazer um esforço para tentar chegar a todo o lado e ter a noção de que é uma fase. Não é fácil, principalmente para quem está perto de mim, que durante este momento fica mais em segundo plano, mas também estou convencido de que ficam orgulhosos do meu caminho.
– Sente que perde algumas coisas?
– Óbvio! Acaba-se o teatro, o cinema, os livros, os jantares de amigos, o silêncio do Alentejo, algum tempo com a [filha] Leonor. Tudo coisas de que preciso para sentir-me bem. Estou confiante de que, no futuro, vai valer a pena.
– Por falar na Leonor, ela tem 20 anos. Enquanto pai, que conselhos lhe dá?
– A Leonor é uma menina, já quase mulher crescida, muito justa e entendida do mundo que a rodeia. Conversamos muito, mas isso é algo que fazemos desde sempre. É muito consciente do meio que a rodeia e focada no seu caminho. Os conselhos que lhe dou, acredito que são os mesmos que qualquer pai ou mãe daria ao filho, quando lhe deseja o melhor.
“Sou um pai atento e sempre fui presente. Eu e a Leonor temos uma excelente sintonia.”
– Que pai é?
– Sou um pai atento e sempre fui presente. Não entendo de outra maneira. Sou o pai dela, nunca pretendi ser o melhor amigo. Ela terá os seus amigos, mas sou, seguramente, a pessoa com quem ela pode falar sobre o que for e tenho a certeza que o fará sempre, sem receios. Temos uma excelente sintonia. Nos dias que correm, o importante é estar e ser presente.

– Sente-se pronto para, um dia, ser avô?
– Não penso nisso. A Leonor tem um caminho pela frente, é senhora e dona do seu caminho. Eu, a mãe e todos estamos aqui para abraçar as suas escolhas.
– Gostava de ter mais filhos?
– Nunca quis ter mais filhos. Sempre quis ser pai, tive a sorte de ter a Leonor, que me realiza muito e deixa francamente feliz. A Leonor não vive a arrelia de ser filha única.
“A minha parte amorosa fica fechada num lugar a que eu tenho direito.”
– Há muito que o público não lhe conhece um namorado. Voltou a apaixonar-se?
– Há muito tempo que resolvi que essa parte da minha vida fica fechada num lugar a que eu tenho direito. Já mostro muito sobre mim todos os dias, não acho que acrescente alguma coisa eu expor mais. Preciso desesperadamente de ter coisas que são só minhas. E, por isso, há muito que decidi que esse canto da minha vida é só meu e dos mais próximos. É uma forma saudável de viver o mediatismo, e estou convencido de que o público entende. E assim protejo quem deve ser protegido.
– Há alguém para “proteger” nesse sentido? Está apaixonado?
– Seja qual for a resposta que dê, isso vai levantar outras questões. Se estou, é porque estou. Se não estou, porque é que não estou… Sobre a minha vida pessoal e privada, e enquanto eu entender, ninguém saberá nada. Nem sinto que tenham de saber.
– O que é preciso um homem ter para o conquistar?
– Preciso sentir confiança, sentido de humor e objetivos.
– Gostava de voltar a casar-se?
– Não penso nisso. Mesmo!
– O exercício regular passou a ter grande importância na sua vida. Por questões de saúde ou pelo físico que desejava ter?
– No começo, é pela vaidade de conseguir um determinado objetivo, mas à medida que vamos “crescendo” percebemos que é algo fundamental para a nossa saúde. Não gosto de treinar, ao contrário do que toda a gente possa pensar, mas sei que me faz falta e é importante que o faça quatro vezes por semana. Estou convencido de que, se não fosse isto, não estaria tão apto a enfrentar este registo de trabalho. Claro que sou muito bem acompanhado pelo personal trainer Bernardo Galvão, que me dá uma segurança imensa.

– Como cuida da sua saúde mental?
– Faço terapia com psicólogo. Agora, com o ritmo que levo, abrandou um pouco. Mas o fundamental é olhar-me todos os dias ao espelho e perceber quem sou de verdade, o que quero da vida e que caminho é este que estou a fazer. É importante esvaziar todos os dias o ego e não ligar ao que os outros pensam a meu respeito. Ninguém me conhece tão bem quanto eu. A luta diária é manter-me assim, mesmo que muita gente ache o contrário.
– As críticas magoam-no?
– Ligo zero! Desde que apresentei o Big Brother 2020 que deixei de me preocupar. Não ligo a comentários nas redes sociais, a crítica negativa gratuita não me preocupa nada. Até devo dizer que me incomoda imenso que colegas meus vivam inquietos com o que se escreve deles nas redes sociais e valorizam imenso isso. Era o que faltava, que alguém num teclado decidisse o que faço ou deixo de fazer. Deus me livre!
“A idade dá-me que pensar, especialmente depois dos 50. Muitas vezes penso que pode ser uma condicionante. A nossa mente nem sempre é a nossa melhor amiga.”
– Não é um tema que muitos homens falem, mas como encara o avançar da idade?
– Não lido muito bem. A idade é uma coisa boa, porque significa que estamos cá. Melhor ainda se tivermos saúde e na plenitude das nossas faculdades. Mas não nego que a idade me dá que pensar, especialmente depois dos 50. Tenho tanta coisa na cabeça e muitas vezes penso que a idade pode ser uma condicionante. Espero que não seja (e não tem sido), mas a nossa mente nem sempre é a nossa melhor amiga nesse aspeto. Não é tudo um mar de rosas.
– Tem muitos amigos no mundo da televisão?
– Não. Não chegam aos dedos de uma mão aqueles a quem posso ligar a qualquer hora do dia e chorar se for preciso. Sempre tive claro que os meus amigos (tenho muito poucos) estão na minha base. Mas criei laços fortes, pessoas em quem posso confiar e que me fazem falta.
– Continua a achar que é “um meio mal frequentado”, como chegou a afirmar?
– Muito mal frequentado, mas é pena. Porque é bonito. Acho que é assim em qualquer profissão, no entanto, esta tem muitos egos. E o ego é o maior inimigo de qualquer profissional.
– Mantém o desejo de mudar-se para o Alentejo e afastar-me da televisão?
– Nesta década dos 50 anos, quero afastar-me, não me reformar. Desejo retirar-me da escravidão dos horários e obrigações. Quero aproveitar a vida, abrandar significativamente, mas continuar na televisão, se quem decide assim o entender. Quero viajar, namorar, escrever, ler, ver coisas e lugares sem a pressa do relógio.
– Qual o melhor conselho que já lhe deram?
– Há muitos anos, um padre disse-me: “Se acreditas vai, mesmo que o resto do mundo não acredite. Se acreditas, vai.” E vim. Mesmo que apenas eu acreditasse, viria.
– Alguma vez se deslumbrou com a fama?
– Não acredito, não mesmo. A minha educação e estar tão enraizado no meu Alentejo não me deram espaço para isso. Nem os meus amigos deixariam que tal acontecesse.
– Além da família, o que o Alentejo tem de especial que não encontra em Lisboa?
– A minha casa, o cheiro da terra quando chove, o cantar dos pássaros, o pôr do sol, as pedras da calçada que me viram crescer, a praça onde brinquei, a escola onde aprendi, as pessoas.
“Fiz as pazes todas com o passado. Não tenho nenhuma arrelia.”

– Fez as pazes todas com o passado?
– Todas! Não tenho nenhuma arrelia com o passado. Chego a ser-lhe grato, porque se ele não tivesse sido como foi, eu não era como sou.
– Vive sereno ou tem algum arrependimento?
– Terei alguns, mas não adianta esgravatar numa coisa que passou. Se conseguir tirar alguma aprendizagem, já valeu a pena.
– Em 2022, fez uma cardioversão elétrica [na sequência da fibrilhação auricular]. O seu problema de coração está controlado?
– Estou supercontrolado nesse sentido e faço a vida que qualquer um pode fazer. Tenho a consciência dos meus limites e sou vigiado por uma equipa maravilhosa.
Styling: Pedro Aparício e Leonor Carvalho
Maquilhagem: Lígia Bento
Agradecemos a colaboração de Prassa Cerimónia