
Convidada pela L’Oréal para participar numa mesa redonda onde se refletiu sobre os desafios globais enfrentados pelas mulheres, a propósito da estreia do documentário The Final Copy of Ilon Specht, Catarina Furtado partilhou vivências pessoais e falou da necessidade urgente de união para proteger conquistas ameaçadas por contextos populistas e crises humanitárias. “Vivemos numa humanidade partilhada e, neste momento, está em risco muita da liberdade e independência que as mulheres conquistaram. Quando uma mulher perde direitos, toda a sua família e comunidade também perdem”, lembrou a apresentadora, de 52 anos, citando exemplos alarmantes, como o corte de financiamento dos Estados Unidos à ajuda humanitária, que resultou no encerramento de maternidades e centros de saúde em países em desenvolvimento. “A primeira medida a ser tomada em tempos de crise tem sempre a ver com o corpo e a independência da mulher.”
A embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População destacou ainda a realidade invisível do trabalho não remunerado das mulheres, como o cuidado doméstico e familiar. “Se esse trabalho fosse valorizado monetariamente, representaria três vezes mais do que a receita do turismo em Portugal”, referiu Catarina, defendendo a importância da união feminina e da sororidade. “Nós precisamos umas das outras, mais do que pensamos. Estamos muito habituadas a cuidar de tudo, mas é importante reconhecer que, juntas, somos mais fortes.”
“Mulheres que muitas vezes perdem filhos e ainda encontram força para seguir, essas são as verdadeiras heroínas.”
Destacando a importância de campanhas e iniciativas que cheguem a mulheres que se sentem esquecidas, slogans como o que deu origem ao documentário da L’Oréal, “Porque eu mereço”, fazem toda a diferença para muitas mulheres que acham que ninguém quer saber delas. “Apoiar uma mulher é apoiar uma comunidade inteira”, lembrou Catarina que, ao ser questionada sobre as mulheres que a inspiravam, não hesitou em responder: “As minhas heroínas são as mulheres que enfrentam caminhadas inacreditáveis para dar à luz, que cuidam das suas famílias em condições extremas, que são vítimas de violência doméstica, mas que, ainda assim, lutam e mudam histórias. Essas mulheres, que muitas vezes perdem filhos e ainda encontram força para seguir, são as verdadeiras heroínas.”

Recordando alguns momentos marcantes da sua trajetória, a apresentadora falou da necessidade que sentiu, no início da carreira, de provar que era mais do que uma mulher bonita. “Senti que tinha de dar mais do que uma carinha bonita e um corpo de ballet. Comecei a boicotar-me a mim própria, a dizer que só isso não ia chegar. O que vale é que sou curiosa, o que me levou a procurar conhecimento e a transformar a curiosidade em ação. Foi quando decidi ir para Londres estudar três anos”, contou Catarina, reforçando que a educação e a sensibilização são pilares fundamentais para combater a desigualdade de género e inspirar novas gerações.