
Médica especialista em plástica reconstrutiva e estética do rosto e corpo e uma das mais conceituadas em Portugal, Luísa Magalhães Ramos é também uma empreendedora, com três clínicas abertas, nas quais o corpo clínico é formado apenas por mulheres.
Se a possibilidade de fazer a diferença na vida das pessoas e de poder ajudá-las a ser a melhor versão de si mesmas é o que a move todos os dias, o empoderamento feminino não fica atrás no que a motiva, acreditando que há uma visão feminina que cria empatia com quem procura a especialidade que pratica.
Mãe de duas raparigas, Francisca, de 14 anos, e Frederica, de 8, tenta encontrar o equilíbrio entre uma profissão exigente e a maternidade, assumindo que é um desafio constante.
– Por que razão prefere trabalhar só com mulheres?
Luísa Magalhães Ramos – Quando terminei a especialidade, a maioria dos colegas que trabalhavam em cirurgia plástica estética com algum reconhecimento, no contexto privado, eram homens. Na verdade, essa afirmação ainda é verdade nos dias de hoje. Por esse motivo, achei que uma equipa de cirurgiãs poderia ser diferenciador.
– Acha que uma visão no feminino pode ser uma mais-valia?
– Sim, as mulheres acabam por ter uma perspetiva diferente por terem maior identificação com as motivações que levam outras mulheres a procurar cirurgias plásticas e mais empatia em relação a alguns problemas, pelo facto de as afetarem também a elas, especialmente depois da maternidade.
– Preocupa-se em fazer parte do empoderamento de mulheres?
– É óbvio que, inconscientemente, esse pensamento está presente todos os dias, pois é com muito orgulho que vejo o sucesso (que há uns anos seria impensável), numa área particularmente dominada por homens, de uma equipa formada exclusivamente por mulheres. Para além disso, o nosso trabalho também empodera mulheres, no sentido em que as torna mais autoconfiantes, com mais autoestima, mais realizadas e satisfeitas.
– Quando aparece alguém que realmente não precisa de nenhum tipo de cirurgia, mas quer, o que aconselha?
– Se não precisa de nenhum tipo de cirurgia é óbvio que não tem indicação e não pode fazer. Nesse caso, podemos encaminhar para tratamentos alternativos minimamente invasivos.
– O vício em plásticas e tratamentos invasivos existe ou é um mito?
– Oiço muitas vezes “doutora, acho que estou a ficar viciada” quando uma doente que já fez uma intervenção e está muito satisfeita com o resultado começa a ponderar recorrer a outras cirurgias. Isso não é um vício. Aquilo que acontece é que a pessoa percebe que é possível melhorar alguns pontos que a incomodam com segurança, que fazem parte de complexos que possa ter, e encontrou uma clínica e um cirurgião com quem se sente confortável e confiante.
– Vivemos mais tempo e sentimo-nos jovens até mais tarde. Como podemos fazer com que esse espírito seja acompanhado de um corpo e rosto que se coadunem?
– É importante e fundamental a prática frequente de exercício físico, uma alimentação saudável, e hábitos de vida equilibrados. Para além disso, para mulheres na perimenopausa, surgiram novas medicações que podem ser utilizadas, como a suplementação hormonal e os medicamentos que ajudam a controlar o peso – um dos problemas fundamentais desta fase da vida. Invariavelmente, há outros problemas que surgem com o avançar da idade, nomeadamente a flacidez. Esta ocorre no rosto e no corpo e pode ir sendo combatida.

– Há formas de nos podermos cuidar sem alterar linhas de rosto e a expressão, mantendo a naturalidade?
– Claro que sim. A naturalidade dos resultados é fundamental, seja em cirurgia plástica seja em medicina estética.
– Qual é a sua missão enquanto médica, o que a motiva?
– Uma das frases que mais vezes oiço e que me deixa extremamente feliz é: “Não imagina como mudou a minha vida.” Ainda que mudar o aspeto exterior do nosso corpo possa parecer vaidade, ninguém se submete a uma cirurgia plástica se essa modificação não for verdadeiramente importante para si, para se sentir melhor, portanto, sem dúvida que ajudar as pessoas a sentirem-se melhor é uma missão. O que mais me motiva, neste momento, são os casos de rejuvenescimento do rosto, bem como casos complexos.
– O que a levou a fazer esta especialização?
– Sempre soube que gostava de trabalhar principalmente com mulheres. A área da beleza sempre me interessou. Apesar de a cirurgia plástica não ter só a componente de beleza e de estética e ter uma grande componente de cirurgia reconstrutiva, sempre me fascinou a forma como pode impactar a vida das mulheres. A cirurgia plástica vai muito além da aparência – trata-se de bem-estar, de autoestima e de devolver às mulheres o poder sobre a sua própria imagem. Essa combinação de fatores fez-me escolher esta especialização.
– Gosta de ver as pessoas mais bonitas e confiantes? Porque, acima de tudo, é sobre isso que versa o seu trabalho.
– Sem dúvida! O meu trabalho vai muito além da estética – é sobre ajudar as pessoas a sentirem-se bem consigo mesmas, a reencontrarem a sua autoestima e confiança. Cada paciente que passa pelas minhas mãos tem uma história e um motivo único para ter chegado até mim. O mais gratificante é ver o impacto positivo que essas transformações têm na sua vida e no seu bem-estar emocional.
– É do Porto, mas vive em Lisboa. Quando é que trocou de cidade e o que a levou a fazê-lo?
– Em 2005, iniciei a especialidade de cirurgia plástica no Hospital de S. José e a minha vida acabou por ficar irremediavelmente vinculada a Lisboa. Fiz várias amizades, incluindo médicas, com quem continuo a trabalhar e acabei por formar família, abrir a LMR e, anos mais tarde, a Skin Boutique.
– Onde sente que está realmente em casa?
– O Porto será sempre a minha cidade de origem, onde estão muitas das minhas raízes e memórias, onde tenho a minha família e as amigas do tempo da faculdade. Sempre que vou ao Porto, sinto-me em casa. No entanto, Lisboa é o lugar onde construí a minha vida profissional e familiar.
– Tem duas filhas. De que forma conjuga a sua intensa vida profissional com a maternidade?
– Conciliar a maternidade com uma carreira exigente como a minha é um desafio constante, mas sempre fiz e faço questão de estar presente nos momentos mais importantes da vida delas. A organização é essencial e tento equilibrar os meus horários para garantir que, apesar do ritmo intenso dos meus dias, consigo dedicar tempo de qualidade às minhas filhas.

– O que mais gosta de fazer com elas?
– Adoro viajar com elas. Temos feito todo o tipo de viagens, umas mais de aventura, outras mais tranquilas. Já são umas companheiras fantásticas e divertidas. As nossas férias preferidas são as da neve. São momentos preciosos que valorizo muito.
– São cúmplices?
– Sim, sem dúvida. Temos uma relação muito próxima e tento sempre que sintam que podem contar comigo para tudo. Partilhamos conversas, momentos, e essa cumplicidade é algo que cultivo e valorizo muito. No entanto, faço questão de frisar, que sou a mãe, não sou uma amiga.
– Alguma delas já evidencia gostar particularmente da área de trabalho da mãe?
– Pela natureza do meu trabalho, evito partilhar muitas coisas do meu dia a dia, porque não quero que banalizem a cirurgia plástica. Claro que já são grandes e sabem o que a mãe faz, mas não é conversa à mesa de jantar. Seja qual for o caminho que escolham, o mais importante para mim é que sigam as suas paixões e façam o que as faz felizes.