
Foi sempre a “acelerar” que atravessou mais de duas décadas de carreira, mostrando que a dedicação, o talento e o carisma devem ser guiados em simultâneo. Ator e motard, José Fidalgo tem no dia a dia o seu principal papel: proporcionar a melhor educação ao filho mais velho, Lourenço, de 15 anos, da antiga relação com a empresária Fernanda Marinho, com quem esteve casado entre 2007 e 2013. O rapaz despertou a mesma paixão do pai por motorizadas. “Ele já tem capacete. Já é o terceiro ano que vai a um curso [de pilotagem] de Off Road Camp, em Santiago do Cacém. Os miúdos gostam de adrenalina. Ao mesmo tempo que eu adoro que ele esteja nos cursos de motas, tenho medo que vá. É uma dicotomia um bocado estranha. Mas adoro vê-lo andar de mota nestes cursos”, afirma o artista, que tem um sonho por concretizar: “Ainda gostava de fazer uma grande viagem de mota com o meu filho.”
A boa relação entre os dois não acontece somente em casa ou nas velocidades. Aos 45 anos, José Fidalgo procura conhecer todos os gostos do filho, inclusive no que diz respeito à música. “Faço muita questão de passar ao meu filho o gosto por Frankie Chavez, The Legendary Tigerman, Afonso Rodrigues e Ray, porque gosto muito. Sinto, através dele, que a música brasileira está a chegar-nos muito, e acho engraçado. Mas, ao mesmo tempo (e sem pressionar), mostro-lhe o que eu gosto”, disse na 7.ª edição dos Prémios Play, onde subiu ao palco para entregar um dos galardões de música: “Vou buscar os amigos dele e damos imensos passeios. Pego neles e acompanho aquela geração, por dois motivos muito grandes. Primeiro, porque é o meu filho e quero sempre acompanhá-lo. Não quero sentir aquilo que outros pais, em gerações passadas, sentiram ao dizer que não gostavam de determinado estilo, que não percebiam [as gerações mais novas]. Eu tento perceber. Não é para parecer que sou mais novo, é para acompanhar e para eu próprio crescer a nível cultural. O segundo motivo é porque sou ator, então quero perceber esta geração. ‘Aproveito-me’ do meu filho como uma espécie de laboratório [risos]. E, consequentemente, criamos laços mais fortes.” José Fidalgo é ainda pai de Maria, de 11 anos, do anterior relacionamento com Nádia Nóvoa.
“Nunca me incomodou nada [ter o rótulo de galã]. Às vezes ainda sinto, mas cada vez menos.”
Desde sempre considerado um ator admirado pela sua presença marcante e voz rouca, isso nunca impediu que tivesse grande dedicação à sua arte, com a verdade que imprime às suas personagens, procurando manter-se indiferente ao rótulo de galã que sempre o acompanhou. “Isso nunca me incomodou nada. Às vezes ainda sinto, mas cada vez menos. Acho que foi mais a imprensa que foi criando essa persona. Não tenho nada contra. Mas se te vão ‘catalogar’ em alguma coisa, então que sejas o melhor a fazer isso. E depois podes partir para outra. Não vale a pena afastar o ‘suposto estereótipo’. Não façam isso, aproveitem. Porque é só um estereótipo, antes ainda de provares se és bom. Às vezes isso ajuda, outras não. Para cinema, pode não ajudar tanto. Acredito é que devemos aproveitar as oportunidades e depois tentarmos ser os melhores. De que adianta dizerem-me que tenho cara de galã se ainda não fiz nada, nem provei nada às pessoas?!”

Afastado das novelas, o ator tem estado mais dedicado ao teatro, ao cinema e séries. “Vou começar a filmar a série Felp, para a RTP. É fenomenal. É uma realidade em que os bonecos coexistem com os humanos e com analogias constantes à realidade que vivemos. Também fiz dois filmes: Criadores de Ídolos [com realização de Luís Diogo], que vai estrear em setembro, e O Lugar dos Sonhos [realizado por Diogo Morgado]. Tenho andado muito ocupado, graças a Deus”, confidencia o ator, que, como outros, sonha iniciar um percurso além-fronteiras. “O mercado português está a abrir-se imenso para o estrangeiro. Também estou um pouco dentro desse ‘barco’, às vezes ‘à boleia’, outras vezes ‘acenam-me’ para eu entrar. Penso sempre, mas, para isso, é preciso as oportunidades acontecerem. Eu próprio tento criar as oportunidades. E acredito que elas poderão aparecer.”
O regresso a um longo projeto de ficção nacional é que tem sido adiado: “Não é uma questão de sentir ou não vontade de voltar à televisão. Cada um faz as suas escolhas. Há determinadas personagens que aparecem e nós queremos fazê-las ou não. E temos de aceitar as consequências quando não queremos. Tenho negado fazer algumas personagens e aceitado outras.”