
A gestora espanhola que escolheu Portugal para viver e trabalhar tornou-se, ao longo dos últimos anos, uma das figuras mais marcantes do universo empresarial nacional. Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal, foi agora distinguida como uma das Mulheres Mais Influentes de Portugal, numa cerimónia à qual fez questão de comparecer, apesar de estar a recuperar de uma cirurgia delicada. “Detetaram-me um quisto de 10 cm na mama. Felizmente, benigno. Ainda tenho pontos por dentro, ainda tenho dores, mas estas coisas também nos fazem mais fortes.”
A distinção vem somar-se a um currículo impressionante: já foi duas vezes considerada empresária do ano, recebeu dois prémios Best Team Leader e foi condecorada por Felipe VI, rei de Espanha, um reconhecimento equivalente ao título de comendadora em Portugal. Mas, para Beatriz, ser influente vai muito além dos prémios. “Primeiro, é uma grande responsabilidade. Depois das pessoas nos verem como mulheres influentes, temos de ser modelos. Mas, para mim, ser influente é criar um clube de fãs das nossas ideias. E isso faz-se com liderança – não aquela de força e hierarquia, mas a liderança colaborativa, que nasce entre todos os que trabalham na empresa. É esse o modelo que sigo.”
À frente de uma das maiores redes de mediação imobiliária, Beatriz, de 58 anos, orgulha-se da cultura da sua empresa, onde a equidade entre homens e mulheres é uma realidade, não apenas um objetivo. “Somos uma equipa muito equitativa. Acredito que só assim se constrói uma empresa moderna e justa.”
O caminho trilhado por ela e pelo seu marido, Manuel Alvarez, é agora seguido por Patrícia, uma das filhas do casal que integra os quadros da empresa, embora a gestora faça questão de sublinhar que o mérito deve sempre falar mais alto que os laços familiares. “Ela ainda está a fazer o seu caminho, a conquistar o seu lugar. As pessoas têm de ser reconhecidas pelo seu trabalho, não por serem filhas de alguém. Mas claro que me deixa feliz.”
“Gosto mais de ver o copo meio cheio, ou, melhor ainda, de pôr mais água no copo.”
Apesar de reconhecer que ainda há muito por conquistar no que toca à igualdade de género, Beatriz escolhe um olhar positivo sobre o progresso feito até aqui. “Gosto mais de ver o copo meio cheio, ou, melhor ainda, de pôr mais água no copo. Não nos podemos focar apenas no negativo. Já conseguimos muito. E ainda bem que há mais para conquistar, senão a vida seria um aborrecimento.”