
Rita Pereira voltou a integrar a lista das 50 Mulheres Mais Influentes de Portugal, iniciativa do portal digital Executiva, que todos os anos reconhece as mulheres com mais impacto na nossa sociedade. Para a atriz, este foi o oitavo prémio e recebeu-o com sentido de dever. “Quando são oito anos, já começas a acreditar que se calhar estás a fazer alguma coisa certa, se calhar alguém está a ouvir-te. Se fosse para ficar calada, recebia flores em casa em vez de um prémio. Acho que o facto de ter uma voz e de dar a minha opinião, mesmo que isso vá ao encontro de polémicas ou chatices, faz a diferença”, disse na cerimónia que decorreu no espaço Cupra City Garage, em Lisboa.
Numa reflexão sobre o seu percurso, a atriz de 43 anos, que tem forte presença no digital, destacou as mudanças que viveu ao longo destes anos e que a fizeram crescer. “O mundo virou do avesso umas quantas vezes e eu também. Cresci, mudei, fui-me reinventando e continuo a tentar perceber como é que isto das redes afinal funciona. Dou hoje ainda mais valor ao que andamos aqui a fazer e a dizer. Porque no meio de ‘trends’, filtros e algoritmos, há espaço para coisas sérias. E para vozes que querem mesmo dizer alguma coisa”, sublinhou.
Conhecida pela forma direta como passa as mensagens, Rita fez questão de referir que há ainda um longo caminho para fazer quando o tema são as mulheres. “Portugal é um país que não aceita mulheres com ego, mulheres que sabem o que querem, que tenham a sua opinião vincada. Isso é sempre visto como falta de humildade.” A artista assume a sua escolha em ir contra a corrente e alerta para a necessidade de haver mais empatia entre o sexo feminino. “O que faz a diferença é o facto de eu falar, de ter esta voz e de não me preocupar com as consequências. De, ao longo dos anos, para mim uma polémica não passar disso mesmo. No final do dia, disse alguma coisa que queria e sei que influenciei alguma mulher que concorda comigo. A diferença é não ter medo. Não consigo ser só mais uma. Não faz parte da minha personalidade, não fui educada para ser assim.” Também aceita as críticas com serenidade, sendo que, há poucas semanas, as vozes se levantaram contra ela quando publicou um vídeo nas suas redes sociais, no qual mostrava a filha, Lowê, de 5 meses, a chorar e dizia que se tratava de uma birra a que não era preciso ceder de imediato, pois estava tudo bem com a bebé. “Não mexeu comigo, porque sei que não fiz absolutamente nada de errado. Mais uma vez, é saber ouvir antes de apontar o dedo. Aquilo aconteceu por ter duas amigas a passarem por um pós-parto violentíssimo por só viverem para os filhos. Foi daí que surgiu aquela minha ideia. As críticas não me afetaram. Continuo a fazer exatamente a mesma coisa, apenas aprendi que não posso usar a palavra birra, só depois dos 6 meses”, garantiu.

Na sua tentativa de contribuir para uma sociedade melhor, sublinhou que é na educação dos filhos – a Lowê junta-se Lonô, de 6 anos, da relação com Guillaume Lalung – que não quer falhar. “Quando vejo adolescentes a dizerem absurdos sobre as mulheres, penso na educação que tiveram. É nisso que não quero falhar enquanto mãe. Quero ter a certeza de que o meu filho tem os valores certos, vai ter empatia pelos outros, e pelas mulheres também, vai saber que não há diferença, que somos iguais, que temos as mesmas capacidades, que conseguimos fazer as mesmas coisas e, quiçá, perceber que, em muitas das frentes, até somos melhores.” Falou também de como está a viver esta nova fase da sua vida com a chegada de mais um filho. “Ainda estou com cérebro pós-parto, estou há cinco meses sem dormir, as coisas ainda são muito complicadas, mas está a correr bem. Aprendi com os erros que cometi no primeiro e isso é o mais importante. Tornei–me uma mãe mais descontraída, mais certa daquilo que quero, o que posso fazer também. Já tenho mais confiança, é o segundo.”