
Robert De Niro foi distinguido com a Palma de Ouro Honorária na cerimónia de abertura da 78.ª edição do Festival de Cinema de Cannes, em reconhecimento pelo contributo excecional que deu à 7.ª Arte ao longo de mais de cinco décadas de carreira.
Aos 81 anos, o ator norte-americano junta-se assim ao restrito grupo de figuras homenageadas pelo certame francês, ao lado de nomes como Jeanne Moreau, Agnès Varda, Jodie Foster ou Harrison Ford. Visivelmente emocionado, De Niro subiu ao palco e recebeu o troféu das mãos de Leonardo DiCaprio, com quem já contracenou. Agradeceu o prestigiado galardão e sublinhou a importância da cultura nas sociedades.
O seu papel de ativista político e forte opositor de Donald Trump ficou visível no seu discurso. “No meu país, lutamos arduamente para defender a democracia que sempre tomámos como garantida”, começou por dizer. “Ao contrário de um filme, não podemos simplesmente sentar-nos e relaxar. Temos de agir hoje, agora mesmo, sem violência, mas com paixão, com determinação. Chegou o momento, todos os que amam a liberdade devem organizar-se, protestar e chegou também o momento de votar, quando há eleições”, apelou ainda o ator, indo mais longe. “O Presidente americano inculto (…) simplesmente cortou o financiamento das Humanidades, do ensino superior, e anuncia agora taxas alfandegárias de 100% sobre os filmes produzidos fora dos Estados Unidos. Isto é inaceitável e não é apenas um problema americano, é um problema global”, defendeu, perante uma multidão entusiasta.

De Niro participou pela primeira vez no Festival de Cannes em 1973, com Os Cavaleiros do Asfalto, e mais recentemente com Assassinos da Lua das Flores, ambos de Martin Scorsese. “Esta é a minha comunidade”, afirmou. Foi neste evento que se inspirou para criar o Festival de Tribeca em 2002, como forma de reunir os nova-iorquinos após os atentados de 11 de setembro.