
Quando se envelhece, os dentes podem afetar a estrutura facial e há alterações às quais se deve estar atento. Quem o diz é Pedro Cosme, médico dentista da Malo Clinic. “Com o passar dos anos, os dentes escurecem naturalmente e as gengivas tendem a retrair-se, expondo parte da raiz. Isso pode aumentar a sensibilidade dentária e a propensão para cáries e lesões de desgaste. Ao nível facial, há sempre um desgaste das superfícies de contacto, nomeadamente dos bordos dos dentes da frente, que os tornam mais curtos e com proporções esteticamente menos bonitas”, começa por explicar, acrescentando ainda que, “quando excessivo, o desgaste pode provocar a perda da dimensão vertical do rosto”, ou seja, a uma diminuição da distância entre o nariz e o queixo com colapso do lábio e das bochechas, favorecendo o aparecimento de rugas, a perda de tonicidade dos músculos ao redor da boca.
Por isso, torna-se premente tratar dos dentes, o que para o médico dentista pode ser mais eficaz que o botox. “Os dentes dão-nos o sorriso, os lábios e o rosto compõem a moldura. Rejuvenescer a pele, os músculos e os lábios sem rejuvenescer os dentes é como mudar apenas a moldura de um quadro antigo que precisa de restauro. Ambos os tratamentos deveriam ser coordenados para obter um resultado estético harmonioso e sobretudo saudável e funcional. Por vezes, se as alterações da face se devem a causas dentárias, só mesmo o tratamento dos dentes vai fazer um verdadeiro tratamento rejuvenescedor.”
“O branqueamento feito com os devidos cuidados é um tratamento eficaz e inócuo.”
Quanto a técnicas de rejuvenescimento dentário há várias e Pedro Cosme salienta que “o mais básico, excluindo o tratamento de cáries ou fraturas, a iniciar é o branqueamento. Feito com os devidos cuidados, é um tratamento eficaz e inócuo, mas deverão ser consideradas as especificidades destes pacientes. Em dentes com menor desgaste, poderão ser feitas diretamente sobre o dente restaurações, simples ou extensas, ou mesmo facetas em compósito. Embora mais baratas e menos resistentes, permitem alterações ligeiras de cor e forma que podem ser suficientes, necessitando de avaliação caso a caso. Por fim, dentes mais desgastados e com alteração de forma significativa ou com perda de altura acentuada poderão ser reabilitados com facetas ou coroas em cerâmica”.

Percurso académico e profissional
Licenciado em Medicina Dentária na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMDUL) e mestrado integrado na FMDUL. Médico dentista com prática clínica exclusiva em prostodontia, reabilitação oral e dentisteria estética.