
Envelhecer é inevitável, mas fazê-lo com qualidade é possível, garante Jesús Olivas Menayo, cirurgião plástico e especialista em lipedema. Nesta entrevista, o médico fala sobre o conceito de smart aging, ou envelhecimento inteligente, e ajuda-nos a entender como pequenas decisões podem fazer grande diferença na qualidade de vida ao longo dos anos. Alimentação, sono, atividade física, saúde mental e novas tecnologias estão entre os pilares que aborda para quem deseja viver mais e melhor.
– Como definiria o conceito de smart aging? É envelhecer com saúde ou vai mais além?
Jesús Olivas Menayo – Envelhecer com saúde é uma consequência da abordagem smart aging. Ou seja, envelhecer é inevitável, mas a forma como o fazemos depende de cada um de nós, de todas as nossas escolhas no dia a dia. Para envelhecermos bem, com mais qualidade de vida e vitalidade, precisamos de aceitar que o envelhecimento é um processo natural e que o podemos otimizar através da forma como tratamos o nosso corpo e a nossa mente. Temos de apostar na prevenção, agir antes que os problemas de saúde surjam ou que os sinais do envelhecimento sejam visíveis. Precisamos também de perceber que cada pessoa envelhece de forma diferente, pelo que não existe uma fórmula perfeita, e que é necessário conjugar fatores, entre nutrição, atividade física, suplementação, saúde mental e adoção de hábitos saudáveis, como não fumar, não consumir álcool em excesso ou dormir bem. De nada serve termos uma aparência jovem se não cuidarmos igualmente do nosso interior.
– Quais são atualmente os métodos mais inovadores?
– A ciência moderna revelou algo extraordinário: apenas 20% da nossa saúde está determinada pelos nossos genes. Os restantes 80% dependem das nossas escolhas, hábitos e compromisso com o autocuidado. É com base nesse princípio que se desenvolvem, hoje, os métodos mais inovadores de longevidade ativa. Entre os destaques, estão os exossomas, com enorme potencial na reparação tecidular e no rejuvenescimento da pele. Também ganham força os IV Drips personalizados, que combinam vitaminas, antioxidantes, polinucleótidos e moléculas como o NAD+, fundamentais para restaurar a energia celular e proteger contra o envelhecimento precoce. Testes avançados como os testes epigenéticos, o Dutch Test (para análise hormonal de precisão), o teste de NAD e a medição da longevidade dos telómeros permitem-nos desenhar programas de intervenção personalizados e muito mais eficazes, adaptados ao perfil biológico de cada paciente. Estamos, de facto, a viver uma nova era na medicina preventiva e estética.

– Que riscos estão associados a procedimentos, como terapias hormonais, biohacking, ou intervenções estéticas mais invasivas?
– Cada intervenção deve ser acompanhada com rigor médico, pois mesmo as terapias com grandes benefícios têm os seus riscos. As terapias hormonais podem ser valiosas quando bem conduzidas, mas exigem monitorização contínua, já que desequilíbrios podem afetar o sistema cardiovascular, o metabolismo e até a saúde mental. O biohacking, por mais sedutor que seja, precisa de uma base científica sólida. Sem orientação profissional, pode envolver práticas que trazem mais riscos do que benefícios. Quanto às intervenções estéticas invasivas, é essencial avaliar sempre o custo/benefício e explorar, quando possível, soluções menos agressivas.
– Como distinguir entre ciência e promessas comerciais?
– Existe muita informação disponível e, por falta de conhecimento, as pessoas não conseguem distinguir o que é verdadeiro e o que é falso, o que gera muita desinformação. Por exemplo, o jejum intermitente, a suplementação ou mesmo o exercício físico, para serem eficazes, têm de ser personalizados, têm de ser recomendados após a realização de análises e exames que reflitam as reais necessidades de cada pessoa. Caso contrário, corremos o risco de estar a fazer pior do que melhor. A minha recomendação é que procurem sempre acompanhamento médico.
– A obsessão com a juventude pode ser um obstáculo para se envelhecer com qualidade?
– Sim, e se o acompanhamento não for bem feito, pode ser contraproducente. Para que se enquadre no conceito de smart aging, é necessária a consciencialização das nossas necessidades individuais e a personalização da receita.
– Como pode a sociedade apoiar melhor o smart aging e ampliá-lo para mais do que uma minoria?
– Infelizmente, o smart aging é percecionado como algo puramente estético, quando deveria estar na base da promoção da saúde. Até porque, como referi, para envelhecermos com qualidade e de forma inteligente, por dentro e por fora, precisamos de apostar na prevenção e esta deve começar desde a infância, ao nível da criação de hábitos alimentares saudáveis e da introdução da prática de exercício regular. Se forem hábitos enraizados desde sempre, conseguimos também reduzir os custos associados, porque não é necessário corrigir o que tem sido feito de forma errada durante anos. Mas tudo isto é utópico se, enquanto sociedade, continuarmos a negligenciar a saúde e mantivermos a percepção que estes cuidados têm um objetivo puramente estético.
– O que é, para si, envelhecer com dignidade e inteligência? Se pudesse recomendar apenas três hábitos para envelhecer bem, quais seriam?
– Envelhecer com dignidade e inteligência é envelhecer com consciência. É sabermos e reconhecermos o que nos faz bem e o que devemos evitar e encarar estas necessidades como naturais. Não é fácil escolher apenas três, porque tudo está interligado, mas diria que a prática de exercício físico regular e a alimentação saudável e equilibrada estão na base, a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar, não beber em excesso e dormir bem, são um bom complemento e terminava com a suplementação e/ou a introdução de substâncias naturais do corpo humano, como o ácido hialurónico ou o colagénio, que o corpo vai perdendo com a idade e que são fundamentais para devolver volume, hidratação e elasticidade à pele, contribuindo para uma aparência mais jovem e natural.

Percurso académico e profissional
Jesús Olivas Menayo é cirurgião plástico, cofundador da MS Medical Institutes e fundador do Instituto Português do Lipedema. Especialista em cirurgia plástica, reparadora e estética minimamente invasiva, cirurgia facial, cirurgia mamária e cirurgia pós-parto, é também considerado o primeiro cirurgião especialista em lipedema em Portugal e trabalha numa visão de medicina integrativa, estética avançada e longevidade com base científica.
Licenciado em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Extremadura, Espanha, fez posteriormente o doutoramento em Medicina Aplicada e Biomedicina pela Universidad de Navarra.
Procedimentos inovadores
Através de técnicas de medicina integrativa e da inovação tecnológica, o médico aplica um tratamento inovador: Morpheus8, microagulhamento com radiofrequência bipolar fracionada para revascularizar e tensar com nova produção de colagénio para trabalhar o rosto.