
Foto: João Lima
O mundo da fotografia ficou mais pobre com a morte de Eduardo Gageiro, aos 90 anos. O fotojornalista, que estava internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, morreu “em paz, rodeado pela família, com todo o carinho e conforto”, segundo revelou o neto, Afonso Gageiro, à agência Lusa.
Reconhecido pelo seu olhar único e sensível, Gageiro foi um dos primeiros fotojornalistas a documentar os acontecimentos do 25 de Abril de 1974, captando imagens que se tornaram símbolos da Revolução dos Cravos. Ao longo de décadas, ele registou, de forma singular, a realidade do país, eternizando momentos históricos e cenas do quotidiano em fotografias que transcendem o tempo.
Nascido em Sacavém, em 1935, Gageiro começou a carreira ainda jovem, tendo publicado a sua primeira fotografia aos 12 anos, na primeira página do Diário de Notícias, ganhando rapidamente destaque nacional e internacional. As suas imagens ilustraram importantes publicações, como a Paris Match e o The Times, tendo recebido inúmeros prémios ao longo da sua trajetória.
Além de registar eventos históricos, Gageiro dedicou-se a retratar a essência de Portugal, explorando as paisagens, os rostos e as tradições do país com uma abordagem humanista e poética. As suas obras são vistas como verdadeiras janelas para a alma do povo português, unindo técnica, emoção e autenticidade.
A morte de Eduardo Gageiro marca o fim de uma era para a fotografia portuguesa, mas o seu legado permanecerá vivo através das imagens que captou e das histórias que contou através das suas câmaras fotográficas.