No último domingo, 3 de maio, Dia da Mãe, e quase 12 anos após a morte do filho, Judite Sousa (65) voltou a assinalar a data com uma mensagem emotiva dedicada a André Sousa Bessa (1985-2014), partilhada nas redes sociais.
A ex-jornalista refletiu sobre o significado da maternidade, sublinhando que “ser mãe é uma condição única” e que esse vínculo permanece “colado ao corpo e ao espírito até ao fim dos nossos dias”. A publicação, acompanhada por uma fotografia dos dois, gerou uma onda de reações e mensagens de apoio.
Mais do que uma homenagem pessoal, Judite Sousa estendeu a sua mensagem a todas as mães, destacando que, “o que quer que aconteça nas ratoeiras da vida”, essa condição “nunca se esfuma com a passagem do tempo”.

O acidente e o impacto de uma perda irreparável
A morte de André Sousa Bessa, em 2014, aos 29 anos, marcou de forma irreversível a vida da jornalista. O jovem sofreu um acidente numa festa numa moradia, perto de Azeitão. De acordo com as conclusões da investigação e da autópsia, encontrava-se sentado à beira da piscina quando se desequilibrou, batendo com a cabeça na pedra de uma cascata.
O impacto provocou uma lesão grave no tronco cerebral, considerada fatal. Apesar de ter ficado submerso durante alguns minutos, foi essa lesão — e não afogamento — que esteve na origem da morte. As autoridades concluíram tratar-se de um acidente, não tendo sido detetados indícios de consumo de álcool ou drogas.
Transportado para unidades hospitalares e mantido em coma profundo, André Sousa Bessa acabaria por não resistir às lesões, num episódio que gerou forte comoção pública.

Um ano antes da tragédia, em 2013, Judite Sousa tinha-se divorciado de Fernando Seara (70) — uma mudança pessoal que, mais tarde, viria a cruzar-se com um sentimento de culpa profundo, que a própria assumiu publicamente. Em entrevistas, a jornalista revelou ter vivido anos marcada por uma sucessão de “e se?”, questionando decisões e cenários hipotéticos que pudessem, de alguma forma, ter alterado o desfecho.
A ideia de que pequenos detalhes poderiam ter feito a diferença — como um convite para um jantar ou até o próprio contexto familiar — tornou-se recorrente no seu pensamento. “Se calhar se eu não me tivesse divorciado, ele estava vivo”, confessou, dando voz a um sentimento comum, ainda que difícil de racionalizar, entre pais que enfrentam a perda de um filho.
Ao longo do tempo, tem procurado manter viva a memória do filho, nomeadamente através da criação de uma bolsa de estudo em seu nome. Em datas como o Dia da Mãe, essa memória ganha uma dimensão ainda mais profunda.
Entre a dor e a homenagem, Judite Sousa continua a afirmar uma maternidade que resiste à ausência — e que encontra, na partilha, uma forma de permanecer.
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