A poucos dias de subir ao palco do Cinema São Jorge, em Lisboa, é em entrevista exclusiva à Caras que Sofia Hoffmann revela o que verdadeiramente alimenta a sua música. Aos 46 anos, a artista reflete sobre descanso, amor e transformação numa etapa que descreve como particularmente intensa. O concerto de apresentação de ‘Dolce Far Niente‘ aproxima-se, e a cantora sublinha que este novo trabalho nasce de vivências pessoais e de emoções ainda em processo de evolução.
Num mundo marcado pela rapidez, o conceito de “dolce far niente” — o prazer de não fazer nada — pode soar quase provocador. Para Sofia Hoffmann, foi mais do que isso: tornou-se uma necessidade. “Surgiu numa fase intensa da minha vida, em que senti que precisava de descansar, mas também de me divertir”, explica.
A inspiração ganhou forma durante os anos em que viveu em Itália, onde encontrou um ritmo distinto — mais lento e sensorial. “Quis retratar esse sonho italiano romântico que tantos gostariam de viver”, refere. O resultado traduz-se numa música que cruza leveza e profundidade, agora reinventada num remix assinado por Nitin Sawhney (61), figura de referência na fusão entre música clássica indiana, jazz e eletrónica.

Coração disponível, mas resguardado
No plano pessoal, Sofia Hoffmann não fala em pausas — fala em transformação. Sem rótulos ou definições, atravessa uma fase em que o amor parte de si e se estende ao que a rodeia. Está solteira, mas não em espera: presente, inteira e em movimento, com o coração disponível à sua maneira. “Ter o coração disponível não significa que não esteja protegido.”
Mais do que reconstrução, a artista prefere falar em transformação. “Todos somos desafiados a viver e a transformar o que sentimos”, afirma. Uma perspetiva que atravessa o álbum [In]LOVE, produzido por Ivan Lins (80), um dos nomes maiores da música brasileira, com carreira internacional consolidada.
Para Sofia, o amor não admite interrupções. “Procuro praticá-lo todos os dias, começando pelo amor-próprio.” E essa entrega reflete-se inevitavelmente na música. “Componho a partir do que sinto, do que observo, do que vivo. É quase uma catarse.”
É essa intensidade emocional que a artista promete levar ao palco a 27 de maio, em Lisboa. Para Sofia Hoffmann, o concerto ultrapassa a dimensão de uma simples atuação: é um momento de partilha. “A possibilidade de dar ao público aquilo que tenho através da música é o que mais me emociona”, confessa.
Num panorama musical cada vez mais imediato — e, nas suas palavras, por vezes superficial — a artista acredita que a verdadeira ligação continua a acontecer ao vivo. “É aí que se cria comunidade. É aí que sentimos de forma genuína.”
O futuro abre-se em várias direções, mas, quando confrontada com a escolha entre crescer em notoriedade ou aprofundar a sua linguagem musical, Sofia não hesita em ambicionar ambas. Ainda assim, reconhece o essencial: “Saber que a minha música pode transformar alguém, ajudá-lo a ser mais feliz…é o mais importante de tudo”
No fim, talvez resida aí a verdadeira essência de “Dolce Far Niente”: não apenas parar, mas sentir.
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