Um dos rostos mais conhecidos da televisão e do lifestyle em Portugal, Cláudia Jacques (61), continua a surpreender pela autenticidade com que vive a vida. A empresária, modelo, comentadora e influenciadora digital mantém ao longo dos anos a mesma energia inquieta que a levou da moda à televisão, das relações públicas ao digital, sempre sem medo de recomeçar.
Nascida no Porto, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, começou por sonhar ser professora de línguas, mas o destino trocou-lhe os planos numa tarde improvável numa discoteca. Hoje, depois de décadas ligadas à moda, televisão, cinema, livros, música e comunicação, continua a ser uma das mulheres mais carismáticas e faladas do país.
Mas há muito mais para descobrir para lá da imagem glamorosa que o público conhece.
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A moda mudou sua vida
Muito antes das redes sociais, dos castings digitais e da internet, Cláudia Jacques já dava os primeiros passos no universo da moda portuguesa. E tudo aconteceu de forma completamente inesperada. Na altura era ainda adolescente e imaginava um futuro ligado ao ensino, até que um encontro casual mudou-lhe o rumo da vida.
“Estava numa discoteca de tarde, porque só tinha 17 anos, e um fotógrafo de moda veio falar comigo e com a amiga com quem eu estava para nos propor sermos fotografadas para uma marca de roupa”, recorda.
O convite despertou-lhe imediatamente o interesse pelo universo da moda. Pouco tempo depois decidiu tirar um curso de manequim e rapidamente percebeu que aquele caminho fazia sentido. “Gostei tanto que fui a aluna preferida. Daí por diante nunca mais parei”, conta.
Numa altura em que o mercado funcionava de forma muito diferente, o trabalho não faltava. “Havia muito trabalho, as empresas contactavam-me diretamente. Não havia telemóveis, os telefonemas eram para o telefone fixo de casa, mas nada era impeditivo de ter muitos trabalhos. Ganhava-se bem, trabalhei muito, foram tempos maravilhosos!”.
A moda acabou por transformar completamente os seus planos de vida. A jovem que sonhava ser professora de Inglês ou Francês construiu uma carreira sólida entre showrooms, representação de marcas internacionais e relações públicas. “Acabei por abrir uma empresa de representação de marcas de moda francesas, espanholas e italianas”, revela.

Entre Brasil e Portugal
Apesar de ser hoje uma das mulheres mais associadas ao lifestyle português, existe um lado menos conhecido da sua história que continua muito presente na forma como encara a vida.
Entre os 13 e os 16 anos viveu no Rio de Janeiro, uma experiência que descreve como profundamente marcante. “Foram anos que mudaram muito do que eu era até porque foi numa idade de mudança e crescimento”, conta. O regresso ao Porto não foi fácil. “Foi muito difícil e triste quando tive que voltar”, admite. Ainda assim, foi precisamente no Norte que acabou por construir a vida que tanto valoriza hoje. “Gosto muito de viver no Porto. Gosto de tudo o que conquistei e construí aqui”, afirma.
Apesar das viagens frequentes a Lisboa por causa do trabalho em televisão, é na cidade invicta onde cresceu que encontra equilíbrio. “Gosto sempre de voltar para as ruas que conheço, os locais onde faço as minhas coisas, a praia aqui ao pé de casa, o estilo de vida que construí aqui”.
Carreira marcada pela versatilidade
Nas últimas décadas, Cláudia Jacques recusou limitar-se a uma única profissão. Modelo, empresária, relações públicas, comentadora, atriz, escritora e até cantora — a comentadora do V+ soma experiências improváveis e pouco conhecidas do grande público. “Fui atriz numa série da RTP, fiz cinema, escrevi dois livros, gravei um CD com músicas escritas e interpretadas por mim e tive uma linha de joias”, enumera.
E a verdade é que nunca teve receio de mudar. “Adoro que a vida me surpreenda”, diz. Ao olhar para trás, acredita que a curiosidade e a vontade constante de experimentar coisas novas acabaram por definir grande parte do seu percurso. “Tenho tido uma vida cheia e feliz devido aos vários desafios que me foram propondo ao longo dos anos”.
Questionada sobre a forma como conseguiu gerir tantas mudanças sem perder identidade, responde sem hesitar: “Geri tudo sem me deslumbrar, com muita racionalidade, maturidade, verdade e entusiasmo”.
Embora o público a associe sobretudo às relações públicas e ao comentário social, Cláudia acredita que o segredo do sucesso nunca esteve apenas na imagem. “Acho que a minha essência ditou muito do meu sucesso”, explica.
Ao decorrer da carreira, garante que sempre tentou manter-se fiel à forma como foi educada. “As pessoas sentem-se acarinhadas, sentem que lhes dou atenção”, diz. Mas faz também questão de sublinhar que simpatia nunca significou falta de firmeza. “Sou muito educada com todos, mas também sei marcar a minha posição e faço-me respeitar”.
Uma vida nos ecrãs
A televisão acabou por ser outro dos grandes capítulos da sua vida. E embora hoje transmita uma enorme segurança diante das câmaras, confessa que sempre foi tímida. “Tenho perdido alguma da timidez que sempre tive apesar de não ser muito percetível a quem me conhece”, revela.
Começou ainda muito nova na RTP1 como modelo residente em programas de moda e, ao longo dos anos, foi acumulando experiências em vários formatos televisivos. Participou em séries, reality shows, programas de entretenimento e comentário social. “Atualmente sou comentadora do V+Fama no novo canal da TVI”, conta, mostrando-se particularmente feliz com esta fase da carreira.

A exposição televisiva acabou também por mudar a forma como muitas pessoas a viam. “Sei que muitas pessoas mudaram a opinião que tinham sobre mim ao verem-me na televisão, porque em todas estas participações sou eu com toda a verdade”. Apesar da notoriedade, também foi alvo de alguns rótulos com os quais nunca se identificou. “Há quem pense que sou fútil e que vivo de pensões dos meus ex-maridos”, revela. E esclarece imediatamente: “Nunca tive pensão de nenhum deles. Fútil não sou. Deslumbrada também não sou”.
Nas redes sociais, Cláudia Jacques mantém exatamente a mesma frontalidade que transmite na entrevista. Entre viagens, rotinas de bem-estar e conteúdos ligados à beleza, também fala abertamente sobre tratamentos estéticos. “No meu Instagram mostro muito do que sou, do que faço, do meu estilo de vida, do que gosto, os tratamentos que faço e até as cirurgias de estética que já fiz”, afirma.
A comentadora acredita que essa transparência acaba por aproximar outras mulheres. “Sinto claramente que inspiro algumas mulheres e respondo a muitas perguntas que me fazem”.
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Quem acompanha Cláudia Jacques nas redes sociais percebe rapidamente a importância que a estética ocupa na sua vida. E a própria admite que a casa é um reflexo direto da sua personalidade. “Gosto de ter a casa sempre arrumada e limpa”, conta. Para a portuense, organização e equilíbrio caminham lado a lado. “Ter a casa organizada, cuidada, arrumada e limpa é exatamente como tenho as minhas ideias e o meu cérebro”.
A ligação às filhas
Apesar da vida pública intensa e dos vários projetos que foi acumulando, Cláudia Jacques garante que a família sempre ocupou um lugar central na sua vida — sobretudo a relação com as filhas, Mafalda (30) e Carolina (26).
A comentadora revela que sempre tentou transmitir às duas alguns dos valores que considera essenciais, como autoestima, cuidado pessoal e independência. “Sempre gostei de as instigar a serem vaidosas. É importante gostarmos de nós, apresentarmo-nos bem, andarmos limpas e bem arranjadas”, afirma.

Hoje, ambas seguem áreas ligadas à comunicação e à imagem. Mafalda trabalha com marcas nas redes sociais, enquanto Carolina está mais ligada às produções de moda. Apesar das personalidades diferentes, Cláudia acredita que as filhas acabaram por herdar parte da sua sensibilidade estética e da forma como encara a vida.
A felicidade depende de si
A vida amorosa de Cláudia Jacques foi várias vezes tema de conversa. A comunicadora já revelou ter recebido dez pedidos de casamento e ter casado oficialmente seis vezes. Ainda assim, continua a acreditar no amor.
Mas deixa uma reflexão clara sobre independência emocional. “A felicidade tem que depender de nós próprias, não podemos depositar essa necessidade no outro”. Para Cláudia, muitas mulheres vivem relações em esforço por medo da solidão. E deixa um conselho direto: “Não mendigar o amor. Saber estar sozinha se for preciso pelo tempo que for”.
A empresária acredita também que o amor muda com a idade. “Aos 50 será um amor mais maduro, com menos margem para erros”.
Nunca deixar de se escolher
Cláudia Jacques reafirma a mesma ideia: a importância de nunca perder a própria identidade. “Gosto de ser leve, descomplicada, equilibrada e sobretudo gosto de ser independente e de viver na verdade”, diz.
Essa leveza de que fala acaba por refletir-se também na forma como encara o futuro. Sem planos demasiado rígidos ou expectativas excessivas, prefere deixar espaço para as surpresas da vida. “Estou habituada a que a vida me surpreenda e tem surpreendido muito e bem”, confessa.
Numa fase em que continua ligada à televisão e aos projetos digitais, garante sentir-se feliz com aquilo que construiu, sobretudo pela liberdade de poder viver exatamente como escolheu. “O futuro é desconhecido… mas estou confiante de que vai continuar a ser bom para mim”, conclui.
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