A atriz Jéssica Athayde (40) recorreu às suas redes sociais para fazer uma partilha corajosa e de coração aberto sobre a saúde mental. Após ter marcado presença no aguardado concerto do artista porto-riquenho Bad Bunny (32), que encheu o Estádio da Luz, em Lisboa, na passada terça-feira, 26 de maio, a artista de 40 anos refletiu sobre o impacto que a ansiedade social tem no seu quotidiano.
“Um minuto e meio de desabafo, obrigada por não me fazerem sentir sozinha. Não imaginam a ajuda que isso me dá”, começou por escrever na legenda de um vídeo emotivo, onde fez questão de deixar uma mensagem de conforto a todos os que enfrentam as mesmas batalhas internas.
O medo das madrugadas e o plano de fuga no estádio
A inquietação de Jéssica já se fazia sentir horas antes do espetáculo. Ainda durante a manhã de terça-feira, a atriz utilizou as stories do Instagram para detalhar a verdadeira “operação de fuga” que montou para conseguir assistir ao concerto sem entrar em colapso.
“Estava a pensar que hoje vou fazer um daqueles reels de ‘vem passar um dia comigo’ (…), mas vai ser ‘vem ter um ataque de pânico comigo’“, ironizou. A viver em Cascais, a atriz conduziu até Lisboa de manhã cedo só para deixar o carro estacionado estrategicamente em Benfica. O plano passava por regressar a casa de transportes e, mais tarde, entrar o mais tarde possível no estádio e abandonar o recinto antes da última música para evitar a multidão.
“Eu adoro concertos, mas normalmente tenho sempre de ficar perto das saídas, com um plano de fuga caso me dê uma coisinha má. Ao longo dos anos isto tem vindo a piorar”, revelou, desmistificando a ideia de que a vida das figuras públicas é sempre perfeita.

‘Muitas vezes vou até à última da hora e corto’
Após o espetáculo, e sensibilizada com a avalanche de mensagens que recebeu, Jéssica Athayde gravou um vídeo detalhado para explicar como a ansiedade dita muitas das suas escolhas. “Queria dizer a quem sofre também de ansiedade social e tem dificuldade muitas vezes e deixa de fazer coisas por causa disso (…). Isto é um impedimento na minha vida. Muitas vezes fico em casa e arrependo-me no dia a seguir, mas realmente não estou capaz e não consigo. Muitas vezes vou até à última da hora e, à última da hora, corto e não vou“, confessou.
A atriz explicou que este é um problema antigo, mas que se tem acentuado com a passagem do tempo: “Isto é uma coisa que acontece há muitos anos na minha vida e, à medida que vou ficando mais velha, vou piorando. Quem faz parte da minha vida sabe que tenho isto. As minhas amigas sabem muitas vezes que não podem contar comigo e que há a hipótese de eu faltar à última hora».
Jéssica sublinhou ainda a diferença de postura quando está em ambiente profissional, onde a exigência a obriga a focar-se, em contraste com os momentos de lazer. “Quando é trabalho consigo estar mais focada e mentalizada, mas quando tenho a opção de fazer ou não, muitas vezes escolho não fazer porque me sinto muito ansiosa e fisicamente doente. Portanto, não vou e arrependo-me quase sempre”.
A fechar o seu testemunho, a atriz deixou uma nota de esperança para quem partilha do mesmo sofrimento: “Há muitas vezes que não vou, mas há muitas que vou. E quando vou, vale a pena. Por isso, não queria deixar de gravar este vídeo e dizer que quem sofre de ansiedade social não está sozinho“.
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