Num Mundial repleto de estrelas milionárias e nomes consagrados, foi um homem mais velho do que a maioria dos protagonistas em campo e praticamente desconhecido do grande público internacional quem roubou todas as atenções. Vozinha (40), guarda-redes e capitão da seleção de Cabo Verde, tornou-se uma das figuras mais faladas da competição depois de protagonizar uma exibição histórica diante da poderosa Espanha.
O internacional cabo-verdiano foi o grande responsável pelo empate sem golos na estreia da sua seleção em Campeonatos do Mundo, assinando várias defesas decisivas e conquistando o prémio de melhor jogador em campo.
Mas se as suas intervenções dentro das quatro linhas impressionaram adeptos de todo o mundo, foi a história por detrás da alcunha “Vozinha” que acabou por despertar ainda mais curiosidade.
O homem por detrás do nome que ninguém esquece
Poucos sabem que Vozinha se chama, na verdade, Josimar José Évora Dias. O nome próprio foi inspirado no antigo internacional brasileiro Josimar (64), mas o apelido que hoje corre o mundo nasceu de uma forma muito mais familiar.
Criado pelos avós enquanto os pais trabalhavam, o futebolista cresceu em Mindelo, em Cabo Verde. Quando era criança, jogava frequentemente contra rapazes mais velhos e regressava a casa frustrado depois das derrotas. Os amigos brincavam dizendo que ele ia “queixar-se aos avós”. Foi daí que nasceu o apelido “Vozinha”, que acabaria por acompanhá-lo para sempre.
Décadas depois, é precisamente esse nome que está a fazer sucesso muito para além dos relvados.
De jogador discreto a fenómeno das redes sociais
A atuação frente à Espanha transformou Vozinha numa verdadeira celebridade internacional. Durante e após a partida, o número de seguidores nas redes sociais disparou de forma impressionante.
Em menos de 24 horas, o guarda-redes passou de algumas dezenas de milhares de seguidores para vários milhões, tornando-se um dos fenómenos virais mais inesperados deste Mundial.
Nas redes sociais, multiplicam-se as mensagens de apoio, os vídeos das suas defesas e até os comentários divertidos sobre o seu apelido, que rapidamente se tornou um dos mais populares da competição.
Um herói improvável que está a inspirar uma geração
A história de Vozinha é ainda mais surpreendente porque foge completamente ao percurso habitual dos grandes craques do futebol mundial.
Sem ter passado pelas academias mais famosas da Europa, construiu uma carreira marcada pela persistência. Jogou em países como Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal, onde representou o Gil Vicente e, mais recentemente, o Desportivo de Chaves. Atualmente encontra-se sem clube, apesar de ser uma das figuras mais mediáticas do Mundial.
Aos 40 anos, quando muitos atletas já terminaram as suas carreiras, Vozinha vive o momento mais marcante da sua vida profissional.
O rosto de um sonho chamado Cabo Verde
Mais do que um guarda-redes, Vozinha tornou-se símbolo de um país inteiro. Cabo Verde, que participa pela primeira vez numa fase final de um Campeonato do Mundo, viu o seu capitão transformar-se num exemplo de resiliência, dedicação e esperança.
Entre lágrimas, no final do encontro frente à Espanha, o guarda-redes admitiu que esperou toda a vida por aquele momento. E talvez seja precisamente essa autenticidade que está a conquistar tantos admiradores.
Num torneio dominado por superestrelas, foi um homem chamado Vozinha quem acabou por se tornar a história mais inesperada — e mais emocionante — deste Mundial.
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