
Barqueiro dirigindo-se a Valle Seco
Marco C. Pereira
Sem alterações significativas, desde há muito, o Parque Nacional Henri Pittier ocupa uma vasta área do estado de Aragua, ao longo das montanhas imponentes que ascendem directamente do fundo do mar até aos 1800 metros de altitude do pico Paraíso e aos 1900 do Guacamaya, onde a temperatura desce aos seis graus e as precipitações atingem os 4000mm.
Apesar do domínio absoluto da selva, o parque é igualmente o palco invejável dos modos de vida de um mosaico de povos nascidos na época do cacau e dos escravos. Frequentemente, ao som de cantos e toques mágicos de tambor, recebe ainda vagas de visitantes, acima de tudo caraqueños, mas também de outras paragens, que partilham uma mesma paixão: a praia. A duas horas da capital (menos ainda de Maracay), as areias douradas que assinalam o seu limite norte são o destino de uma romaria que se intensifica com o aproximar do fim-de-semana.
Povoação tipicamente caribenha, de planificação castelhana e alma africana, Puerto Colombia exibe uma descontracção e alegria contagiantes. Aqui, a movimentação matinal num dia de sol faz-se habitualmente em dois sentidos: em direcção à Playa Grande ou, em alternativa, ao molhe, de onde saem as lanchas que asseguram o transporte para as outras praias, mais distantes e acessíveis apenas por mar.
A Playa Grande, numa baía enorme com um mar de tons preciosos que vão do verde-esmeralda ao azul-safira, tem um areal amarelo rematado por uma linha de coqueiros frondosos que, por sua vez, assinala, de forma algo brusca, a fronteira com a selva.