
Nancy Vieira
D.R.
Nancy Vieira, de 37 anos, nasceu em Bissau, onde os seus pais, cabo-verdianos, se tinham juntado a Amílcar Cabral (que liderou a luta pela independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau), assassinado em 1973. Quatro meses após o seu nascimento, em 75, a família instalou-se na Cidade da Praia, em Cabo Verde. A viver em Portugal desde os 14 anos, a cantora não esquece as suas raízes e isso nota-se no seu trabalho. No Amá, o seu mais recente disco, reflete a sua própria identidade e mostra o lado mais tradicional da música cabo-verdiana: mergulha nas raízes da morna, cruzando os sons do arquipélago com as influências que diretamente lhes estão ligadas.
O Livro – “O Novíssimo Testamento”
O Novíssimo Testamento, de Mário Lúcio Sousa, aborda de forma original o tema da religião, pela ousadia de sugerir Jesus Cristo reencarnado mulher, negra. Guardo com carinho o meu exemplar autografado pelo escritor, que também é um músico e compositor que não me canso de cantar.
O Filme – “Amigos Improváveis”
A minha escolha vai para Amigos Improváveis, pelo retrato social de um bairro multicultural dos subúrbios de Paris, numa história humana, comovente e divertida. Não tenho nada contra filmes policiais, de ficção científica ou terror, mas prefiro histórias de amor e de pessoas, como esta.
O Concerto – Susana Baca
O último a que assisti, no CCB, da peruana Susana Baca, apresentando o seu mais recente álbum, Afrodiáspora. Descobri a música de Susana Baca há anos e tive o prazer de a conhecer pessoalmente. É uma mulher distinta, amável no trato, de grande sensibilidade, aspetos que se refletem no palco também. A sua música encanta-me pela forma como conjuga as mais doces melodias com percussões de raiz africana.
O Bar – B.LEZA
O B.Leza é um bar emblemático, agradável e um espaço de encontros musicais diversos. Cantei muito no B.Leza, nos meus primeiros tempos na vida musical, conheci músicos de diferentes origens, muitos deles meus amigos hoje, que me apoiam e inspiram. Para não falar do pé de dança…
O Disco – “Nha Sentimento”
Este é o último disco gravado da saudosa Cesária Évora. Apesar da fragilidade que, a meu ver, é notória em alguns dos temas, pelos gravíssimos problemas de saúde que enfrentou, fez questão cantar o seu sentimento e o sentimento de todo um povo como ninguém!